segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sob protestos, tarifa de ônibus no Grande Recife sobe 14,26%

Em manhã de protesto, foi aprovado o reajuste de 14,26% nas passagens de ônibus que circulam na Região Metropolitana do Recife, durante reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano nesta sexta-feira (13). A tarifa do Anel A, que custava R$ 2,80, passa a ser R$ 3,20, enquanto a do Anel B sobe de R$ 3,85 para R$ 4,40. Os valores passam agora por validação da Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) e devem valer a partir de domingo (15).

Sobem também os valores do Anel D, que vai de R$ 3 para R$ 3,45, e do anel G, de R$ 1,80 para R$ 2,10. O reajuste prevê que 467 ônibus, dos 3 mil que integram a frota, sejam renovados entre fevereiro e março. O aumento na passagem foi aprovado com 12 votos a favor, dos 18 do conselho.

O diretor de operações do Grande Recife, André Melibeu, explicou que o aumento se deu pela recomposição de custos de 2016 com acréscimo de pessoal, combustível, pneu e óleo lubrificante, assim como a renovação da frota. “Acreditamos que não haverá queda no número de passageiros. A gente entende que o serviço melhora e isso faz que o passageiro retorne ou se mantenha no sistema”, afirmou Melibeu.

O representante do Grande Recife apontou ainda que, mesmo com o aumento a passagem de ônibus, a tarifa pernambucana continua sendo uma das mais baixas do Brasil. “Essa tarifa, em patamares aceitáveis como o R$ 3,20, só é possível com o subsídio do governo em algo entorno de R$ 220 milhões ano”, defendeu.

Sobre a proposta de campanha do governador Paulo Câmara (PSB) de uma tarifa unificada em R$ 2,15, Melibeu alegou que ela é inviável. “Nunca pode ser R$ 2,15 em função dos custos do sistema. É uma tarifa proposta em referência ao anel A. Lógico que no passado podia ser R$ 2,15, mas agora o sistema tem custos que precisam ser absorvidos. Se o sistema tivesse nessa proposta ele estaria sucateado”, finalizou.

O local da reunião foi transferido para a Secretaria das Cidades, no bairro da Ipitanga, Zona Oeste do Recife, por questão de segurança. De acordo com o diretor-presidente do Grande Recife Consórcio de Transportes, Rui Rocha, manifestantes atingiram os conselheiros com murros, pontapés e cusparadas ao fim do primeiro encontro, na sexta (6).

“O clima da reunião lá no Centro de Convenções estava extremamente tenso. O momento é muito difícil no país, mas dentro das tarifas que existem, Recife continua sendo a menor das que tiveram realinhamento de tarifas”, pontuou Rocha, ao responder como imagina a reação dos usuários sobre o aumento.

A reunião começou às 8h e foi encerrada por volta das 8h50, segundo a Secretaria das Cidades. Esta segunda reunião, realizada no bairro da Iputinga, Zona Oeste da capital, foi marcada por protestos e manifestações de pessoas contrárias ao aumento. Ao menos uma pessoa foi detida. Os manifestantes seguiram em caminhada em direção à Avenida Caxangá e se reuniram em baixo do viaduto da via, para decidir futuros protestos.

Os representantes dos passageiros propuseram tarifa de R$ 3. O representante do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) havia sugerido um aumento de quase 34%, que foi derrotado. Com o reajuste proposto pela Urbana, a tarifa A passaria de R$ 2,80 para R$ 3,75, a B de R$ 3,85 para R$ 5,15, a D de R$ 3 para 4 e a G de R$ 1,85 para R$ 2,47.

Adiamento

A reunião sobre reajuste de passagem estava marcada, inicialmente, para a sexta-feira (6), mas uma liminar proibiu a reunião, até que o CSTM divulgasse a planilha com os gastos do sistema de transporte coletivo da região. A liminar foi cumprida e os dados com os gastos foram divulgados no site do Grande Recife Consórcio de Transporte. Entretanto, mesmo já tendo cumprido, o Grande Recife Consórcio conseguiu revogar a liminar.

Fonte: G1 Pernambuco

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