domingo, 19 de fevereiro de 2017

Itapemirim foi vendida para grupo de São Paulo e Camilo Cola continua com Kaissara, diz empresário à imprensa do Espírito Santo

A nebulosa e até o momento pouco transparente venda da Viação Itapemirim, que foi num passado não muito distante, uma das principais transportadoras de passageiros do país, parece aos poucos ser esclarecida, mas não totalmente ainda.

Em entrevista à Gazeta, do Espírito Santo, filiada à TV Globo, o fundador da empresa, Camilo Cola, hoje com 93 anos, disse que a Viação Itapemirim foi vendida, mas que a família continua no controle da Kaissara.

“Vendemos a Itapemirim. Quem comprou foi um grupo empresarial. Eles ficaram com a Itapemirim e nós ficamos com a Kaissara. Eles ficaram com as linhas curtas e nós, com as longas. Eles assumiram toda a dívida”, disse o empresário, que fundou a empresa em 1953, em Cachoeiro de Itapemirim.

De acordo com a reportagem, a Viação Itapemirim foi comprada pelos empresários de São Paulo, Sidnei Piva de Jesus, Milton Rodrigues Junior e Camila de Souza Valdívia – que foi nomeada presidente da companhia.

A compra ocorreu por meio das empresas Ssg Incorporação e Assessoria, de propriedade de Sidnei Piva de Jesus e a Csv Incorporação e Assessoria Empresarial, de Camila de Souza Valdívia, ambas localizadas em São Paulo.

O objeto social das duas empresas engloba atividades de consultoria e auditoria contábil e tributária e incorporação de empreendimentos imobiliários, de acordo com a Junta Comercial de São Paulo. A Csv também atua em consultoria em gestão empresarial e de publicidade.

Sidnei participa de 10 empresas e Camila, de oito. Os dois são sócios em comum em cinco empreendimentos, mas não são sócios oficialmente na Ssg Incorporação e Assessoria e na Csv Incorporação e Assessoria Empresarial.

Já Milton Rodrigues Júnior é sócio de 11 empresas e seu nome aparece ligado a Transportes Dalçoquio, empresa de transportes de carga que está em recuperação judicial.

A Dalçoquio diz que Milton Rodrigues Junior não faz parte do quadro societário da empresa e que ele atuou apenas como um intermediário na negociação da venda da companhia, tendo aproximado Augusto Dalçoquio e Laércio Tomé, que comprou a Dalçoquio.

A empresa acusa Milton de ter sacado R$ 4 milhões do caixa da companhia indevidamente e não ter devolvido o dinheiro, nenhum representante de Milton comentou a acusação.

MUITA COISA A ESCLARECER:

Apesar da apresentação dos nomes, muitos dos quais já divulgados, inclusive pelo Diário do Transporte, e da entrevista de Camilo Cola à Gazeta, ainda há muito a ser esclarecido em relação à Itapemirim. A reportagem tenta desde o final do ano passado explicações sobre o que vem de fato ocorrendo. A resposta de sempre é que haverá explicação da nova diretoria, o que até agora não ocorreu. A nova promessa é de esclarecimento à imprensa e mercado no início de março.

Apesar de a Kaissara, nas palavras de Camilo Cola, continuar com a família, a empresa foi colocada por ordem da Justiça na recuperação judicial do grupo da Itapemirim, que envolve a Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.

Em 4 de junho de 2015, 68 linhas, muitas das quais a grande demanda, da Itapemirim foram transferidas para Viação Kaissara. Para a mídia, a Kaissara apresentou-se como uma empresa independente, com gestores novos.

Mas de acordo com a Justiça e o Ministério Público, tudo não passou de um jogo de cena.

Pior para empresa, que tentou simular uma situação e agora acabou tendo de estar de frente com a realidade e teve a credibilidade abalada.

No dia 11 de janeiro de 2017, o Diário do Transporte noticiou que “Juiz é enfático e vê “desvio de patrimônio” e uso de “laranjas” no caso Itapemirim/Kaissara”

Ao incluir a Viação Kaissara na recuperação judicial da Itapemirim, um dos maiores grupos de transporte rodoviário de passageiros do País, o juiz Paulino José Lourenço, da 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória, foi enfático ao classificar a existência de desvio de patrimônio na transferência das linhas da Itapemirim para a Kaissara (nome fantasia da Viação Caiçara Ltda – fundada em 2009) que ocorreu em dia 4 de junho de 2015. O magistrado também apontou indícios de uso de “laranjas”, já que a Kaissara tinha como sócios dois funcionários do grupo que não teriam condições, ainda segundo o juiz, de assumir um negócio de tamanha magnitude.

Na ocasião, foram transferidas 68 linhas interestaduais entre as quais, as de maior demanda que eram de responsabilidade operacional da Itapemirim, como São Paulo / Rio de Janeiro, São Paulo / Rio de Janeiro (via ABC Paulista), São Paulo / Curitiba, Rio de Janeiro / Curitiba, Salvador/ Rio de Janeiro, Brasília / Belo Horizonte, Rio de Janeiro / Curitiba. Em torno de 40% da frota que era operada pela Itapemirim foram assumidos pela Kaissara na ocasião.

Praticamente da noite para o dia, uma empresa com seis anos na ocasião, se tornou uma das maiores viações da América Latina. Já a Itapemirim foi fundada em 4 de julho de 1953, no município de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo por Camilo Cola.

A inclusão da Kaissara na recuperação judicial do Grupo da Itapemirim, que tem dívidas de R$ 336,49 milhões, já havia sido noticiada pelo Diário do Transporte, no dia 30 de dezembro, e ocorreu no dia 13 daquele mês.

Linhas, ônibus e bens da Kaissara voltam para a Itapemirim.

A gestão deve ser comandada por Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia, os “interventores judiciais”.

Com a decisão, o processo de recuperação judicial também deve ser alterado.

A Viação Caiçara (Kaissara) entra na recuperação judicial da Itapemirim, junto com outras empresas do grupo: Viação Itapemirim, Transportadora Itapemirim, ITA – Itapemirim Transportes, Imobiliária Bianca, Cola Comercial e Distribuidora e Flecha Turismo Comércio e Indústria.


NOVOS EMPRESÁRIOS ASSUMIRAM AS DÍVIDAS:

Ainda à Gazeta, o representante da administradora judicial da Itapemirim, João Manuel de Sousa Saraiva, disse que os novos donos assumiram todo o passivo do grupo que, até a decisão judicial, era comandado por Camilo Cola Filho:

“A empresa que entra assume as dívidas e já fez alguns investimentos: compraram cerca de 50 ônibus, peças de reposição, já está pagando salários em dia e seguros e IPVA em atraso, além de reformar os ônibus que estavam no pátio de Cachoeiro”.

Os débitos do grupo da Itapemirim são de R$ 336,49 milhões.

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