sexta-feira, 26 de maio de 2017

Audiência pública debate falta de acessibilidade em Natal

A acessibilidade na cidade de Natal foi o tema debatido na manhã desta terça-feira (23), em audiência pública proposta pela vereadora Eleika Bezerra (PSL), no plenário da Câmara Municipal de Natal. Representantes da Sociedade dos Cegos do Rio Grande do Norte (SOCERN), da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (SEMOV), Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), entre outros órgãos, estiveram presentes abordando os problemas e propondo soluções para as pessoas com mobilidade reduzida.

"Nosso objetivo é discutir como o município pode contribuir para que idosos, gestantes, pessoas com mobilidade reduzida tenham uma melhor acessibilidade em Natal. Todos nós conhecemos alguém com dificuldade de locomoção, todos nós seremos idosos um dia, eu já sou, já conheço essa realidade de dificuldades, e por isso, buscaremos, através dessa audiência, soluções para os problemas e cobraremos o cumprimento das leis de acessibilidade", explicou Eleika Bezerra.

Dos problemas debatidos, a falta de acessibilidade nos transportes públicos de Natal e a falta de padronização das calçadas foram os mais cobrados pelos representantes das entidades. O aposentado Emanuel Araújo da Silva, 51 anos, que perdeu uma das pernas aos 11 anos em um acidente, falou das dificuldades enfrentadas diariamente para se locomover na cidade. "As calçadas são todas desniveladas, muitas vezes eu ando nas ruas junto com os carros e nos ônibus, além de muitos não terem o elevador, os degraus são bastante altos, fica complicado subir e descer sozinho", afirmou Emanuel.

"A obstrução dos passeios públicos em Natal é outro problema que a gente já vem batendo há muito tempo, as soluções são tímidas, porém a questão do transporte sem o sistema de voz é absurdo. Nós já fizemos a proposição, cobramos no próprio conselho de transporte e mobilidade urbana e infelizmente nada foi solucionado. Parece que estamos em um deserto onde falamos, mas ninguém ouve ou finge que não nos ouvem. Nós merecemos respeito, merecemos que nossos direitos sejam cumpridos", disse Ronaldo Tavares, presidente da SOCERN.

Segundo o secretário Adjunto da STTU, Walter Pedro, 60%, cerca de 470 ônibus, são acessíveis. Após a nova licitação dos transportes públicos a Secretaria pretende alcançar os 100%.  "A licitação já foi deserta duas vezes, por isso não conseguimos implantar o projeto de 100% de acessibilidade, mas assim que a nova licitação for aprovada todos os ônibus estarão aptos", explicou Walter Pedro.

Sobre os problemas das calçadas, o secretário adjunto de  operações da SEMOV, Cléssio Martins, explicou que a Secretaria também está esperando uma nova licitação para dar continuidade às obras de mobilidade urbana projetadas ainda para a Copa do Mundo de 2014. "Pelo projeto são 23 quilômetros de calçadas acessíveis. Realizamos 5% dessas obras. Não é um projeto fácil porque existem muitas barreiras, muitos dutos da CAERN, posteação no meio das calçadas. Devido a essas dificuldades a empresa que estava realizando a obra não conseguiu levar adiante e pediu a rescisão do contrato. Nós estamos refazendo o projeto para realizar uma nova licitação", relatou.

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