domingo, 28 de maio de 2017

Trânsito aumenta risco de depressão, diz estudo de empresa britânica

Pesquisa realizada pela empresa VitalityHealth, feito em parceria com a Universidade de Cambridge (Reino Unido), atesta o que muitos já sabíamos: desperdiçar horas de nossas vidas em congestionamentos, seja dirigindo, seja viajando no transporte público, pode causar stress e depressão. Além desses dois distúrbios, a pesquisa garante que podemos ter problemas pra dormir, e queda na produtividade.


O estudo utilizou como base um universo de 34 mil trabalhadores de indústrias do Reino Unido, avaliando como um deslocamento diário superior a 30 minutos poderia afetar a saúde e a produtividade.

Os resultados da pesquisa detectaram uma correlação altamente positiva entre tempo de deslocamento e saúde: pessoas que despenderam mais de uma hora por dia em seus deslocamentos apresentaram pior saúde mental: 33% delas com risco de depressão e 12% com maior probabilidade de stress relacionado ao trabalho. Mais: 46% apresentaram uma tendência de dormir menos do que as sete horas de sono recomendadas.

Já as pessoas que gastavam menos de 30 minutos na ida e na volta ao trabalho tinham uma semana extra de produtividade.

Uma das conclusões dos pesquisadores foi de que os congestionamentos condenam os trabalhadores que perdem tempo no trânsito a serem menos produtivos do que os que têm horários mais flexíveis.

Logo, quanto melhor a qualidade do sono e o estado mental dos trabalhadores, maiores serão tanto sua produtividade, quanto a satisfação com o trabalho.

HOME-OFFICE SEM HORÁRIO FLEXÍVEL NÃO SERVE, CONCLUI ESTUDO

Sobre o home-office, uma conclusão curiosa: ao contrário do que se imagina, trabalhar em casa não ajuda a combater os efeitos negativos do trânsito se o regime de trabalho não for flexível. O estudo analisou o caso dos trabalhadores que faziam home office, mas tinham regimes de trabalho com horários fixos. Os pesquisadores descobriram que estes trabalhadores são os menos produtivos – perderam, em média, 29 dias de trabalho por ano. ´Número superior aos dos que não podiam trabalhar em casa e ao dos que tinham horários flexíveis.

Shaun Subel, diretor estratégico da VitalityHealth, empresa que contratou o estudo e é especializada em seguro médico privado, disse ao jornal britânico Daily Mail que os resultados demonstram que a rotina diária tem importância e influência direta na saúde e produtividade dos indivíduos. “Permitir estratégias de gerenciamento e flexibilidade aos empregados, para que evitem a hora do rush ou ajustem o trabalho à sua rotina pode ajudar a reduzir o stress e promover estilos de vida mais saudáveis que irão impactar diretamente na produtividade das empresas”, disse Shaun.

Um dado curioso da pesquisa: quando motoristas estão presos no congestionamento, sem nada poder fazer para chegar ao destino, a frustração cresce. As mulheres, no entanto, são melhores para usar métodos simples de distração, como cantar junto com o rádio.

Claro que a situação de quem usa transporte público é muito mais grave. Além de sofrer com o longo tempo do percurso, há o adicional do desconforto e da irregularidade da oferta.

Logo, pode-se concluir que o congestionamento é muito mais desgastante para quem depende de ônibus e trens para se locomover nas grandes cidades, não por acaso a maior parte da população. Com menor produtividade, além da qualidade de vida ser a pior possível, as cidades perdem competitividade. Fato que todos sabem, mas que até aqui ainda não sensibilizou quem toma decisões sobre a mobilidade urbana no país. Aumentar a prioridade ao transporte público teria um efeito direto não só na saúde pública e no meio ambiente, como na produtividade das empresas.

Fonte: Diário do Transporte

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