domingo, 20 de agosto de 2017

Compra de novos ônibus não poluentes está travada em São Paulo, mesmo após anúncio da prefeitura

A questão dos ônibus menos poluentes em São Paulo tem sido marcada mais por discursos do que por ações de fato.

Conforme o Diário do Transporte noticiou nesta quinta-feira, a audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo sobre um novo cronograma de substituição da frota de ônibus a diesel por modelos que emitem uma quantidade menor de poluentes foi marcada por polêmicas, informações desencontradas e números conflitantes sobre a poluição gerada pelos atuais veículos do transporte coletivo municipal.

Enquanto toda a discussão ocorre ainda sem nenhuma definição, a compra de 60 ônibus elétricos que não emitem poluentes durante a operação está travada.

O Diário do Transporte apurou que nada na prática avançou depois do anúncio feito pelo prefeito João Doria e pelo secretário de mobilidade e transportes, Sergio Avelleda, em 14 de julho, sobre a compra de 60 ônibus elétricos à bateria pela Ambiental Transportes Urbanos e a instalação de uma estação de recarga na garagem com energia elétrica gerada por energia solar.

Nem mesmo o único veículo apresentado naquele dia, um ônibus com carroceria Caio e chassi da empresa chinesa BYD, feito em Campinas (SP), está circulando. Assim, anunciado como o primeiro ônibus elétrico fabricado no Brasil para operar comercialmente em São Paulo, o veículo não opera, além de não ser o primeiro ônibus brasileiro com tração elétrica. A promessa era que o veículo ganharia as ruas em 31 de julho, inclusive gravada em vídeo pelo prefeito e divulgada em sua página no Facebook.  “Tecnologia chinesa já produzida aqui no interior de São Paulo, e a nossa capital passa a utilizar este ônibus, já na primeira experiência, a partir de 31 de julho. Autonomia de 300 quilômetros, carrega bateria em quatro horas, tem wi-fi, ar-condicionado, acessibilidade, conforto interno” – disse há mais de um mês, Doria sobre algumas das características do ônibus.

As empresas de ônibus estão dispostas a investir em tecnologias não poluentes para a cidade de São Paulo, mas a SPTrans não autorizou a compra destes veículos e não sinalizou nada a respeito da remuneração dos investimentos e as especificações técnicas e operacionais. Não houve nenhum retorno por parte da SPTrans. As empresas de ônibus querem uma frota mais limpa, mas não podem agir sozinhas. São investimentos altos para comprar estes ônibus e adequar a infraestrutura da garagem, precisa  haver uma segurança e uma formalização a respeito da remuneração sobre estes investimentos” – disse ao Diário do Transporte, o presidente do SPUrbanuss – Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo, Francisco Christovam. A entidade representa as companhias de ônibus do subsistema estrutural da cidade, correspondente às linhas que contam com os veículos de maior porte e passam pela região central.

A SPTrans – São Paulo Transporte, gerenciadora dos serviços de táxi e ônibus na cidade, informou ao Diário do Transporte, por meio de nota, que o ônibus apresentado ainda não está liberado para  circular comercialmente no País porque não foi homologado

A SPTrans informa que está pendente, por parte da fabricante de carroceria do ônibus elétrico, a documentação necessária para liberação do veículo no país, conforme preveem as leis de trânsito vigentes.

 Sem tais documentos, não é possível emplacar o veículo, bem como a emissão dos seus documentos por parte do Detran-SP, que permitirão que ele opere regularmente na cidade de São Paulo.

Por este motivo que o modelo tem ainda placas de identificação verdes e não vermelhas, como nos demais ônibus.

A SPTrans foi questionada pelo Diário do Transporte sobre a informação das empresas de que não teria  havido ainda negociação quanto à infraestrutura, remuneração do investimento nos veículos e na estação de carregamento que capta energia solar e transforma em energia elétrica. Mas a gerenciadora não respondeu a estes pontos, assim como não se pronunciou sobre o questionamento a respeito de haver ou não previsão de ampliação da rede de trólebus.

GÁS NATURAL TAMBÉM NÃO FOI LIBERADO:

Outro veículo que é considerado menos poluente que um ônibus convencional movido a óleo diesel é uma unidade a gás natural que está na garagem da companhia Viação Gato Preto, da zona Sudoeste, da Capital Paulista.

O ônibus esteve em demonstração pela fabricante em outras cidades brasileiras, mas ainda não recebeu autorização da SPTrans para ser testado em São Paulo.

Diário do Transporte

Nenhum comentário:

Postar um comentário