domingo, 13 de agosto de 2017

Em pauta, o aumento de tarifas

O contribuinte que já estava insatisfeito com o aumento de imposto sobre os combustíveis tem um novo motivo para reclamar: a possível antecipação do reajuste das passagens de ônibus. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) enviou um ofício para o Ministério da Fazenda solicitando que as companhias tenham isenção da alta do PIS/Cofins do diesel, combustível utilizado pelos veículos. Caso contrário, será inviável manter as tarifas no preço em que estão.


De acordo com a entidade, que representa mais de 500 empresas de ônibus, o custo adicional para as companhias será de R$ 850 milhões por ano. A associação informou que a crise também afetou o setor. Dados internos mostram que, nos últimos três anos, a demanda pelo transporte caiu 18%. Além disso, 37% das empresas estão endividadas com a União e 20% com os municípios. "É certo que essa isenção seria totalmente transferida para os usuários do Transporte Público, que, na realidade, são, na sua maioria, pertencentes às classes sociais menos abonadas. Eles necessitam de maior atenção e assistência do poder público, principalmente nesta época de alto nível de desemprego", comunicou o ofício. O Ministério da Fazenda não quis comentar o assunto.

O governo anunciou um aumento de R$ 0,21 no litro do diesel. A gasolina foi reajustada em R$ 0,41, mas os postos elevaram em até R$ 1 - o menor valor encontrado é de R$ 3,68, porém, existem locais onde o preço chega a R$ 3,96 (veja o quadro). Nas duas últimas semanas, alguns estabelecimentos reduziram R$ 0,02, mesmo depois da alta de 0,2% na gasolina vendida nas refinarias da Petrobras, anunciada na quinta-feira.

O frentista Leonardo Oliveira, 38 anos, disse que, após um período de revolta, os motoristas voltaram a aparecer. "Agora que os preços diminuíram, os postos estão praticando quase o mesmo valor, e os consumidores perceberam que a margem de R$ 2,97 não vai voltar", afirmou.

Reféns do alto preço, os brasilienses se sentem injustiçados. "Com certeza, estamos bancando uma conta que não é nossa. Eles dizem que estão fazendo cortes para economizar, mas não sabemos para onde vai esse dinheiro", alega o bancário Tulio Dutra, 49 anos, que utiliza o carro todos os dias, saindo de Águas Claras para o Setor Bancário Sul, onde trabalha.

Para quem precisa se deslocar muito, a insatisfação é visível. "Afetou demais a minha renda. O dinheiro que eu economizava com a gasolina dava para pagar a mensalidade do meu curso. Hoje, é muito mais difícil", lamentou a autônoma Thaynara Alves, 28 anos, que mora em Luziânia.

Wonder Jarjour, proprietário da rede de postos Jarjour, acredita que Brasília pode sentir a diminuição dos preços da gasolina nas próximas semanas. "A concorrência e a disputa pelo litro mais barato devem reduzir o valor em alguns centavos", afirmou.

"Os postos aumentaram os preços numa proporção muito maior do que o reajuste do governo. No dia que foi anunciado a alta do imposto, todos os postos já estavam cobrando quase R$ 1 a mais. O impacto no bolso do consumidor é sempre o maior", criticou o empresário Alexander Costa, 21 anos.

Correio Braziliense

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