sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Após testes, Prefeitura de Campinas amplia QR Code em bilhetes para toda a frota de ônibus

Para eliminar de vez a cobrança em dinheiro das passagens de ônibus em Campinas (SP) e acabar com a dupla função dos motoristas, que trabalham sem cobradores, todos os 1.250 veículos do transporte coletivo municipal vão aceitar a validação do bilhete por código de barras do tipo QR Code.

Foto: Reprodução / EPTV

A partir do próximo sábado (16), os usuários poderão adquirir a passagem em terminais, na rede credenciada e, futuramente, por aplicativo de celular.

A medida foi adotada após o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrar com uma ação judicial contra as concessionárias de transporte público de Campinas por conta do acúmulo de função.

"É uma resposta para duas questões que ainda estavam com problemas na questão do transporte. Primeiro, a questão trabalhista, do motorista cobrar a passagem do ônibus também. E, o segundo, a segurança para todas as pessoas que usam o transporte", afirma o prefeito Jonas Donizette (PSB).

O sistema consiste em um leitor para códigos de barras em 2D instalado nos veículos. Atualmente, ao menos 22 mil pessoas ainda pagam a passagem com dinheiro na cidade, que equivale a 10% do total de passageiros. A expectativa da Prefeitura é reduzir a zero os assaltos em ônibus.

O valor para uma única viagem será mantido, R$ 4,50, e será pago por meio de cobrança "desembarcada", antes de entrar no transporte. O ticket só pode ser usado uma vez, dentro do período de 30 dias desde a aquisição. O Bilhete Único e o vale-transporte continuarão valendo, como de costume.

O sistema passará por 90 dias de testes. Somente nesse período o dinheiro ainda será aceito pelos motoristas, segundo a administração municipal.

O investimento para instalação dos aparelhos foi de R$ 1,5 mil, em cada ônibus, e o prefeito Jonas Donizette disse que não acarretará em aumento no valor da passagem.

Teste com sinal de celular

Os testes com o novo sistema começaram a ser feitos em janeiro deste ano, nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio, e foram ampliados para ao menos 100 ônibus no primeiro semestre. Segundo o secretário de Transportes de Campinas, Carlos José Barreiro, a tecnologia usa sinal de celular para enviar os dados dos bilhetes permitindo, assim, o faturamento.

"Isso vai ser feito pela primeira vez numa cidade de grande porte no Brasil. É uma tendência mundial", afirma Barreiro.

No entanto, em alguns locais da cidade, o sinal apresenta falhas, e isso foi percebido durante os testes iniciais. O sistema foi alterado e permitirá a leitura do bilhete mesmo nas áreas sem sinal, sem prejuízo para o usuário, segundo o secretário.

"Nas regiões em que o sinal de celular é pior, o que vai acontecer é que essa informação ficará armazenada por um período no nosso sistema, dentro dos validadores. Assim que o ônibus sair dessa região de 'sombra', ele vai transmitir a informação. [...] Isso não era a ideia inicial do sistema", explica.

Barreiro disse, ainda, que o sistema vai usar mais de uma operadora de celular para garantir o funcionamento, e que o código QR Code permite mais segurança para evitar que bilhetes sejam fraudados.

Aplicativo de celular

A Prefeitura informou que está estudando o desenvolvimento de um aplicativo de celular para viabilizar a compra de bilhetes e, consequentemente, o QR Code nos smartphones. No entanto, não há uma data confirmada para o início desta operação.

"Nós já estamos começando a testá-lo, ainda não estará disponível até que a gente esgote os testes. Esperamos que nesse período de 90 dias a gente consiga ter essa tecnologia também disponível", afirma Barreiro.

Será necessário fazer, no celular, um cadastro para autorizar os débitos na conta do usuário e cada compra vai gerar um bilhete, como os impressos.

Obrigação judicial

A medida de retirar o dinheiro dos ônibus foi imposta pelo Ministério Público do Trabalho, que entrou com uma ação judicial em maio contra as concessionárias por acúmulo de função dos motoristas. Desde que cerca de 2 mil cobradores foram demitidos, os condutores dos veículos também recebiam o pagamento pelas viagens.

A procuradoria alegou, na época, que a dupla função prejudicava a saúde e o desempenho dos motoristas. Em 2014, a Prefeitura chegou a alterar o sistema de cobrança inserindo o Bilhete Único para uma única viagem, mas não emplacou. O dinheiro acabou voltando para os ônibus enquanto outra forma de cobrança era estudada.

Parte dos profissionais demitidos passaram por cursos de qualificação e assumiram outras funções, como fiscais, mecânicos e motoristas.

G1 Campinas

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