domingo, 3 de setembro de 2017

Desacelerem, parem as máquinas mortíferas!

Já escrevemos aqui sobre o número (escandaloso) de informações sobre atropelamentos de pedestres e ciclistas que recebemos todos os dias, de todo o Brasil, aqui na redação do Mobilize. São centenas.


Nesta semana, em plena Marginal do Tietê, em São Paulo, um motorista atropelou um trabalhador que circulava de bicicleta e o arrastou, ferido, por longos 5 km sobre o capô de seu carro. Como explicar esse comportamento do motorista, um senhor de 65 anos? De um lado, persiste no trânsito uma pressa irracional e uma cultura de competição pelo espaço, pela afirmação pessoal. E nesse esporte perigoso, pedestres e ciclistas sempre perdem. Há também o medo da violência urbana, explicável, mas potencializado por certa mídia sensacionalista, que nos faz todos suspeitos e vítimas. E morre-se assim, tolamente. 

Parte dessa loucura advém da precariedade dos sistemas de transporte público em todas as cidades brasileiras, que ainda não conseguiram dar o salto de qualidade previsto na Política Nacional de Mobilidade. Levantamento recente da Agência Brasil revela que apenas 142 projetos de 87 municípios do país enviaram projetos de mobilidade sustentável ao Ministério das Cidades até o mês de agosto. No total, mais de 1.600 cidades poderiam apresentar projetos.  

E não é por falta de informação. Além das publicações do próprio Ministério, existem dezenas de guias e manuais disponíveis para consulta gratuita, como o excelente Guia de Planejamento Cicloinclusivo divulgado pelo ITDP Brasil, um manual que permite a qualquer município criar uma rede de ciclovias, bicicletários e sistemas de bicicletas públicas integrados aos demais transportes urbanos. Outro exemplo é a Cartilha da Calçada Cidadã, trabalho realizado pela blogueira (e deputada) Mara Gabrilli, que oferece dicas para qualquer prefeito que queira "passar a limpo" os passeios públicos de sua cidade. A propósito, vale lembrar: calçada é um instrumento básico da mobilidade e sua manutenção é de responsabilidade dos gestores municipais. Está na Lei Brasileira da Inclusão.

Os resultados aparecem quando há vontade política: Porto Alegre recebeu uma premiação internacional pelo projeto de  sinalização de solo implantado em suas ruas centrais. Bastou pintar o pavimento para criar uma ciclofaixa, reduzir a velocidade do tráfego e melhorar a segurança de travessia para pedestres. Agora a prefeitura da capital gaúcha promete estender o experimento para outras vias. Vamos ver se o projeto avança.

Por fim um destaque para o passeio domingueiro de nosso chefe Ricky Ribeiro, que voltou às ruas depois de um longo período fechado em seu quarto-escritório. Com sua nova cadeira de rodas permobil, ele foi vivenciar a Paulista Aberta e percorreu os 2 km da via entre amigos, músicos, malabaristas, ciclistas, crianças, avós, manifestações políticas e muita festa.

Ruas sem carros, ruas para pessoas...o Mobilize nasceu em 2011 para buscar esse sonho. E, apesar dos atropelos, vamos conquistando nosso espaço.

Mobilize Brasil

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