sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Marcopolo de Caxias retoma produção de componentes para ônibus

Os moldes da maioria dos componentes plásticos utilizados na fabricação de carrocerias de ônibus da Marcopolo voltaram a ser produzidos. Mais de uma semana após o incêndio que destruiu a unidade de plásticos do complexo de Ana Rech, a fábrica firmou parceria com pelo menos  cinco empresas do segmento de plásticos da cidade.

Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

A Plasmosul está entre elas. O diretor administrativo Mateus Bertolini Sonda afiram que já reestruturou sua empresa para atender a demanda da fabricante de ônibus. Realocou 20 funcionários, contratou outros sete e três trabalhadores da Marcopolo estão dentro da empresa supervisionando os trabalhos. Sonda informa que a linha de produção envolve, inicialmente, 160 modelos de peças. Dessas entre 60 e 100 devem ser entregue até o dia 22 de setembro.

— Nossa preocupação é de que a empresa não pare de produzir. Estamos juntos neste recomeço e queremos que a Marcopolo volte á normalidade o mais breve possível. Não queimou apenas um prédio. Queimou a história da empresa — destaca Sonda.

O diretor da Elobras Indústria de Plásticos, Ivan Chemello, informa que tem parceria com a Marcopolo há 26 anos. Agora, intensificou esta parceria e duplicou a produção de peças de fibra de vidro para atender à demanda da fabricante de ônibus. Ele preferiu não divulgar números, mas assegura que está contratando novos trabalhadores para ajudar na produção.

Fábrica 3 da Agrale à disposição

O diretor-presidente da Agrale,  Hugo Zattera disse na tarde de ontem que colocou à disposição a fábrica número três da empresa para a Marcopolo instalar equipamentos e retomar a produção. O pavilhão tem 17 mil metros quadrados e podem operar com pelo menos 600 trabalhadores.

— Estamos ajustando detalhes, construindo uma solução, como legislação trabalhista, transporte, energia. Temos uma parceria com a Marcopolo de quase 20 anos e queremos que ela retome a produção o mais breve possível — destaca Zattera.

Nesta fábrica devem ser produzidas peças de fibra de vidro e boa parte dos funcionários dispensados deve atuar neste espaço. 

A Plásticos Carajás também entrou na corrente de parcerias. Parceira da Neobus há 17 anos, trabalhava com capacidade para 90 funcionários. Na semana passada contratou outros 20. E pretende contratar mais conforme a necessidade. A empresa funcionou durante todo o feriadão da Independência nos três turnos para dar conta da produção.

O diretor da empresa, Anselmo Wagner, informa que já foram feitos 10 moldes grandes de peças de plástico e de fibra de vidro para as carrocerias internas dos ônibus. A expectativa é que a linha de produção aumente na próxima semana.  

Cenário com menos fumaça

O CEO da Marcopolo, Francisco Gomes Neto, disse ontem ao Pioneiro que o cenário atual é de menos fumaça. Ou seja, as perspectivas estão mais claras e as luzem começaram a acender. Segundo ele, o comitê, formado por diretores, frentes de trabalho e funcionários, já visualizou várias possibilidades e continua focado no recomeço total da produção.

— Já sabemos, por exemplo, quais moldes precisam ser reproduzidos e já temos parceiros fazendo este trabalho — destaca.

Ele também afirmou que novos equipamentos já foram comprados e devem chegar a Caxias até o final desta semana. O foco, informa, é onde instalá-los. A fabrica 3 da Agrale é um das alternativas. 

Retorno dos funcionários

A volta dos 4,5 mil trabalhadores dispensados temporariamente também está garantido para a próxima segunda-feira. Gomes neto não garantiu que todos serão realocados. Portanto existe a possibilidade de férias coletivas para parte deles.  

— Esta possibilidade não está descartada, já que não temos acordo sobre banco de horas.

Ele reforçou, no entanto, que não há previsão de demissões.

— Estamos montando uma programação de como será o retorno desse pessoal. Até segunda-feira deveremos ter isso definido — ressaltou.

A empresa têm vários pedidos de ônibus que precisam ser finalizados até o final do mês. Vários contratos estão sendo renegociados. Também estão sendo negociadas novas parcerias com empresas da cidade. Entre elas, a Acrilys.

O Pioneiro

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