terça-feira, 10 de outubro de 2017

Mercedes-Benz investirá mais R$ 2,4 bi até 2022

Divulgação
Ao se aproximar do fim de seu atual programa de investimento de R$ 800 milhões entre 2015 e 2017, a direção da Mercedes-Benz conseguiu aprovar com a matriz, na Alemanha, um novo aporte de R$ 2,4 bilhões que serão aplicados na operação de caminhões e ônibus da montadora no Brasil. “Com esses recursos vamos continuar o trabalho de modernizar nossas fábricas, com a introdução de conceitos da indústria 4.0, e desenvolver novos produtos e serviços no mercado brasileiro”, afirmou Philipp Schiemer, presidente da empresa no País e CEO para a América Latina. 

O executivo destacou que a aprovação do novo ciclo de investimentos da companhia foi justificada pela melhoria de cenário econômico futuro, com expectativa de expansão do PIB acima de 2% no ano que vem, inflação e juros em queda e câmbio estável. No mercado de caminhões, existe expectativa de continuação da colheita de bons resultados no agronegócio, maior fluxo logístico de distribuição de mercadorias, além do começo da retomada do setor de construção civil com privatizações e novas obras. “O mais importante é que há um horizonte de crescimento estável nos próximos anos. Há ainda muito por fazer, reformas a aprovar, não está tudo resolvido, mas estamos em um bom caminho”, avalia. “Pela primeira vez nos últimos três anos temos boas notícias”, destacou. 

A Mercedes-Benz trabalha com perspectiva de aumento de 20% nas vendas de caminhões e de 12% nas de ônibus em 2018. “É um bom porcentual, mas partimos de resultados bastante baixos, com retração do mercado de caminhões que chega a 70% desde 2013 (quando o volume foi de 149 mil veículos acima de 6 toneladas de PBT). Este ano, no segundo semestre já houve retomada no ritmo de negócios, mas não haverá tempo hábil para recuperar o desempenho muito ruim do primeiro semestre, assim 2017 deve fechar um pouco abaixo de 2016”, estima, mostrando quadro que prevê o emplacamento de 45 mil caminhões este ano, contra 47 mil no ano passado. 

Schiemer afirmou que a fonte de financiamento do novo programa não está definida ainda, não sabe se os recursos virão somente da matriz ou se haverá parte financiada por instituições brasileiras, como o BNDES, que já participou de investimento anterior da empresa no País anunciado em 2010. O executivo também não detalhou o destino dos aportes, mas adiantou que a maior parte dos R$ 2,4 bilhões será usada principalmente para aumentar a produtividade da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), há 61 anos em atividade, e desenvolvimento de novos produtos. “A maior parte do investimento, dividido quase em partes quase iguais, será para esses dois objetivos”, disse. 

NOVOS PRODUTOS E MAIS PRODUTIVIDADE

Embora Schiemer não tenha detalhado esse ponto, é certo que os recursos destinados a projetos de produtos devem atender o possível desenvolvimento de novos caminhões e ônibus que atenderão à nova etapa do Programa de Controle de Emissões Veiculares para veículos pesados, o Proconve P8, que deverá introduzir motores Euro 6 no Brasil. “Esperamos o programa para 2023, mas isso não está certo ainda, pois depende das discussões em torno do Rota 2030”, informa o executivo. 

Outro foco será a continuação da modernização da planta de São Bernardo, que já recebeu R$ 500 milhões do programa atual. “Como é uma fábrica de mais de 60 anos em atividade, existem muitas oportunidades para melhorar a produtividade, é o que estamos fazendo e vamos continuar a fazer com a implantação de um novo layout de produção e logística, além da introdução de linhas automatizadas 4.0”, explica Schiemer. Ele estima que os novos processos produtivos devem aumentar em cerca de 15% a produtividade da unidade. 

Como exemplo de melhoria da eficiência logística de São Bernardo, o executivo cita que os atuais 50 armazéns de peças existentes na planta hoje darão lugar a seis centros integrados de distribuição para atender todas as linhas de produção. “É preciso lembrar também que quando esta planta foi construída, precisávamos fazer muitas coisas aqui dentro, hoje temos muitos fornecedores para isso”, diz. Ele garante, no entanto, que a fabricação de motores, transmissões e eixos são “core business” da companhia e continuarão a ser feitos internamente na unidade. “O que devemos fazer é aumentar as compras externas de componentes para essas operações”, revela. 

Após processo de redução do quadro no ano passado, hoje a fábrica da Mercedes no ABC Paulista tem 7,7 mil funcionários. “O contingente é adequado para a operação atual, não existem mais ninguém afastado em layoff nem diminuição de jornada, não esperamos reduzir mais e não vemos necessidade no momento de ampliar”, diz Schiemer. A planta opera cinco dias por semana em um turno, produzindo 160 veículos/dia – existe capacidade para o dobro disso com a adoção do segundo turno, que deixou de operar desde 2014. 

A produção de caminhões da Mercedes no País também inclui a fábrica de Juiz de Fora (MG), que recebeu R$ 230 milhões do atual programa de investimento. Com isso, a unidade passou a soldar e pintar as cabines de todos os modelos para desafogar São Bernardo. Além disso, continua a montar integralmente o extrapesado Actros – a montagem só migrará para o ABC Paulista quando for introduzida no Brasil a próxima geração do modelo, possivelmente já como Euro 6. Segundo Schiemer, a demanda em alta pelo Actros para operações do agronegócio deverá gerar algumas contratações até o fim do ano na planta, que atualmente emprega 700 pessoas. 

O ciclo de investimentos que termina este ano inclui também o campo de provas de caminhões e ônibus, que recebeu aporte de R$ 70 milhões e será inaugurado oficialmente no começo de 2018, dentro do mesmo terreno da fábrica de automóveis da Mercedes em Iracemápolis (SP).

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