terça-feira, 14 de novembro de 2017

STTU: 'Projetos de baixo custo e alto impacto'

Foto: Emanuel Amaral/Tribuna do Norte
Entrevista com Walter Pedro da Silva, secretário adjunto de Trânsito da STTU.

Quais as principais melhorias estruturais executadas pela STTU para dar fluidez ao trânsito?
No início, estávamos trabalhando a questão da Copa, que ventilou uma possibilidade de fazer altos investimentos do ponto de vista de infraestrutura urbana. A equipe técnica se debruçou em algumas propostas e começou a avaliar o tamanho possibilidade que a proposta da Copa do Mundo dava, era uma situação que quase não tinha limita e é tudo que um técnico quer. 

Começamos a ver o que poderia ser adequado do que estava sendo traçado e o que poderia pensar a frente disso. Algumas situações já se tinha pré disposição para fazer obra, como o lote 2, que era do entorno da Arena e o 1, que ligava a Capitão Mor-Gouveia a Felizardo Moura até a a Arena das Dunas. Por causa das desapropriações, começou a se discutir a agressividade das obras, e penamos o que poderia ser feito para que se voltasse mais para o pedestre. A partir vimos a priorização do transporte de massa, de passageiros, que no primeiro momento faria corredores exclusivos e semi exclusivos, diminuiu custos. O PAC 2, que via um corredor exclusivo no canteiro central da Salgado Filho, praticamente descartamentos, porque o que fizemos de corredor semi exclusivo já deu um atendimento muito bom e com baixo custo.

As faixas exclusivas e semi exclusivas para o transporte coletivo são recentes em Natal?
Natal foi uma das primeiras cidades a usufruir desse tipo de ação, começamos ainda na década de 84, quando fizemos o contra fluxo da avenida Mário Negócio e da ladeira do Baldo. Depois, já em 86, fizemos a avenida Rio Branco e parou. Ficamos a mercê de projetos que invariavelmente beneficiavam mais quem estava de carro. Isso só mudou em 2006, quando colocamos o corredor na Bernardo Vieira, que no transporte ganhou um tempo de viagem em apenas 3,5 km, cerca de 10 minutos.

As melhorias na infraestrutura do transporte público de Natal são prioridade para a secretaria?
Sim. Principalmente após discussões com a população. Primeiro que as decisões que tomamos são compartilhadas, chamamos a população, temos o Conselho Municipal de Transporte, no qual atualmente estamos discutindo o plano de mobilidade, onde a sociedade civil está participando, hoje é um projeto da sociedade, a secretaria trabalha, convida e dá voz para todos participarem.

Além das faixas, algum ponto pode ser elencado?
Temos o monitoramento, que passou a ser uma ferramenta muito forte, porque os olhos da secretaria se ampliaram dentro da cidade. Uma situação que o agente teria que estar em campo, tem vários pontos que a câmera passa as informações e temos ações em cima disso. Quer sejam acidentes, área de congestionamento que está se ampliando. A gente fica vendo a todo momento a situação de como está o dia a dia do trânsito, e isso é um facilitador. Outro ponto foi o nosso sistema de semáforo, onde os principais corredores da cidade, como as avenidas Prudente de Morais, Hermes da Fonseca, Jaguarari, Capitão Mor Gouveia e Bernardo Vieira. Podemos mudar o tempo dos semáforos online, qualquer ação de intervenção para melhorias fazemos automaticamente.

Qual foi o volume de investimentos que a prefeitura fez para melhorias na mobilidade de Natal?
Em torno de R$ 30 milhões. Chamamos investimento até valores pagos a empresas que fazem o monitoramento de fiscalização eletrônica, porque isso é uma ferramenta de segurança viária que fiscaliza velocidade, avanço em sinal vermelho e também de segurança pública, porque cada equipamento é atrelado a uma câmera de videomonitoramento. 

O cenário está longe de ser o ideal. Na sua visão, o que ainda precisa melhorar?
Encontramos nesse momento de crise um ponto de equilíbrio, porque fazemos intervenções de baixo custo e de grande impacto. Fazer um binário, mão única e fazendo um investimento baixo. O que precisamos agora é dotar a infraestrutura do pavimento, colocar concreto, para diminuir a ação de manutenção, porque o concreto dura cerca de 5 anos a mais do que o asfalto. A parte mais importante de tudo isso é a consciência da população, no qual o carro particular não deve ser prioridade. A possibilidade da sociedade estar junto com a gente na discussão vai fazer com que consigamos avançar mais rápido.

Tribuna do Norte

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