segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Vans ilegais fazem mesmo trajeto do BRT na Zona Oeste do Rio

Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Sem fiscalização e com uma tarifa mais baixa, vans em situação irregular circulam pelo mesmo trajeto dos ônibus articulados do BRT Transoeste (Santa Cruz-Barra da Tijuca). Os empresários que administram o sistema ameaçam suspender o serviço no trecho entre Santa Cruz e Campo Grande devido à concorrência desleal do transporte ilegal, aos calotes e aos atos de vandalismo. Não é difícil flagrar vans que fazem inclusive o itinerário completo, de uma ponta à outra, pelo mesmo preço do ônibus: R$ 3,60. A viagem ao longo da Avenida Cesário de Melo, por exemplo, sai a R$ 3.

Há vans que, no início do ano, passaram pelo processo de concorrência da prefeitura e obtiveram autorização para circular numa área restrita, mas acabam saindo da região delimitada. Outras são piratas, sem qualquer licença. Nenhuma delas tem permissão para fazer o mesmo percurso de ônibus. O principal atrativo para os passageiros é a passagem mais barata.

— Na van que eu pego, por exemplo, a passagem custa R$ 3,50 — afirma o estudante Gabriel Oliveira, de 19 anos, que economiza R$ 0,20 por dia, nos trajetos de ida e volta entre Santa Cruz, onde mora, e Campo Grande, onde estuda.

SÃO 828 VEÍCULOS LEGALIZADOS

A desordem nas ruas da Zona Oeste se agravou ainda mais após a publicação, no fim do mês passado, de uma resolução da Secretaria municipal de Transportes, permitindo que 2.005 vans da região e da Zona Norte fizessem seu próprio itinerário. A repercussão negativa da medida fez a prefeitura voltar atrás, mas, sem fiscalização, as vans continuam a fazer o trajeto que bem entendem.

Segundo dados da Coordenadoria de Transporte Complementar, responsável pela fiscalização do serviço, há hoje 828 vans legalizadas na Zona Oeste. O órgão da prefeitura não informou quantos veículos circulam sem autorização. Os motoristas licitados que desrespeitam as regras estão sujeitos a uma multa de R$ 1.561,20. A coordenadoria afirmou que a fuga de rota, por exemplo, pode ser identificada por monitoramento feito pelo GPS do veículo. A Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop), à qual a coordenadoria está subordinada, porém, já admitiu que o efetivo para reprimir o transporte clandestino foi reduzido com o fim de um convênio com a Polícia Militar, que dava apoio às operações.

Apesar disso, a coordenadoria garante que a ações vêm sendo feitas em toda a cidade desde janeiro e que, apenas em Santa Cruz e Campo Grande, foram 1.450 autuações e 150 carros rebocados até outubro.

O presidente do Sindicato dos Proprietários de Vans, Marcelo Cerqueira, não vê concorrência entre os dois meios de transportes. Na opinião dele, não dá para comparar um veículo como o BRT, que tem capacidade para transportar mais de 200 passageiros, com a van que só leva 16. Segundo ele, há espaço para os dois.

— Um não tira passageiro do outro. Na realidade, dá mais opção, e a pessoa escolhe o que achar melhor. Muitos preferem as vans porque o BRT já parte da estação lotado — defende.

O Globo

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