segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Preço da gasolina chega a R$ 4,33 em Natal e pesa no bolso do motorista

Foto: Adriano Abreu/Tribuna do Norte
Enquanto o Governo Federal comemora o resultado da inflação oficial de 2017, fechada em 2,95% de acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o cidadão comum não consegue compreender a montanha russa dos preços dos combustíveis desde que a Petrobras adotou uma nova modalidade de precificação baseada no mercado internacional. A montanha russa, porém, por enquanto só apresenta aclives. Enquanto a inflação encerrou o ano abaixo da meta central do Planalto, a gasolina subiu, de julho a dezembro, 15%. O porcentual de um semestre corresponde a cinco vezes a taxa da inflação do ano. Nos postos de combustíveis de Natal, o custo do litro pesa no bolso do cliente: R$ 4,33.

“Está um absurdo, fora de controle. O preço só sobe. Antes, eu colocava R$ 50,00 e conseguia vir da minha cidade para Natal e voltar. Hoje, esse valor só é o que eu gasto nos 56 quilômetros que percorro de Lagoa Salgada para cá”, lamenta o comerciante Leonardo Andrade.  Ela acredita que o preço do litro da gasolina irá chegar aos R$ 5,00 nos próximos dias. “Se continuar como está, não vai demorar muito. A maioria do povo brasileiro reclama disso, mas a população não se une na tentativa de mudar. É muito complicado”, afirma.

Nos postos de combustíveis, a reclamação dos empresários é generalizada. Eles confirmam que houve nas vendas em porcentuais de dois dígitos, mas preferem não detalhá-los, tampouco se identificar. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos/RN) não comenta a variação dos valores praticados nas bombas sob a justificativa de que é uma decisão de cada empresário. Em alguns postos, frentistas e gerentes confirmaram queda no movimento e, consequentemente, no faturamento. “Todos os motoristas reclamam dos preços. Nós não podemos fazer nada, infelizmente. Somos conscientes de que está caro, realmente”, disse um dos frentistas que pediu para não ser identificado.

Somente este ano, Petrobras anunciou dois reajustas nos preços da gasolina e óleo diesel nas refinarias brasileira. O mais recente foi na sexta-feira, 12,  com queda de 0,70% no preço da gasolina e recuo na mesma porcentagem no preço do diesel. Os novos valores passaram a valer a partir deste sábado, dia 13. Sobre a variação quase diária dos valores, a Petrobras diz que com o novo modelo, espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. 

Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais.  A  nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho de 2017.

Variação

De acordo com levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), no acumulado de julho a dezembro de 2017, o reajuste do preço da gasolina foi de 15%. “Por um lado, a nova política é acertada, uma vez que demonstra que os preços dos combustíveis flutuam de acordo com o mercado internacional – atraindo possíveis investidores para o downstream brasileiro – e não de acordo com um tabelamento ou congelamento de preços do governo. Por outro, as constantes variações internacionais, influenciadas por múltiplos motivos, torna a variação constante", avalia Fernanda Delgado, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas.

O constante aumento dos preços já altera a rotina dos consumidores como a redução do consumo de gasolina em alguns estados (menos 3% de julho a outubro no Rio de Janeiro; menos 13% em Minas Gerais e 12% no Paraná), e a maior procura pelo etanol (quase 30% de aumento de demanda no mesmo período), mesmo que com o menor poder calorífero, o que leva a abastecimentos mais frequentes. "Para desonerar o consumidor final e diminuir a pressão inflacionária que os combustíveis exercem na economia, uma sugestão seria uma redução dos impostos federais e estaduais cobrados sobre estes, como a CIDE e o ICMS, que em alguns casos representam quase 50% do preço do combustível na bomba", propõe.

Tribuna do Norte

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