domingo, 4 de março de 2018

Especial UNIBUS RN: Os ônibus executivos presentes na Grande Natal


Infelizmente, o sistema de transporte da grande Natal não dispõe de itens que contribuem para o conforto do usuário – como a presença do ar-condicionado nos veículos, por exemplo. O principal motivo para a não inclusão do ar é o alto custo de manutenção, considerando tarifas defasadas e falta de subsídios pelos poderes públicos. Historicamente, há um discurso do segmento empresarial questionando a impossibilidade de arcar com os custos do atual sistema – composto por ônibus simples, com itens que barateiam a manutenção (como bancos de fibra e não acolchoada, ou o piso de alumínio ao invés do emborrachado), além de uma frota relativamente antiga (atualmente a idade média da frota da grande Natal é de cerca de 8,5 anos), e até mesmo com ônibus usados de outros estados nas frotas (50.4% da frota da grande Natal) das empresas que aqui operam linhas.

Mas nem sempre foi assim. Natal e região metropolitana já tiveram, entre os anos de 1980 e 2000, opções de ônibus com maior conforto disponíveis aos usuários. O primeiro projeto foi colocado à disposição dos usuários pela antiga empresa Cidade do Sol.


Tratava-se de veículos do tipo Monobloco Mercedes-Benz, comprados pela empresa em 1981. Pelo menos cinco ônibus foram anunciados à população, e o serviço prometia rapidez para o deslocamento de Ponta Negra ao centro de Natal.


Os ônibus contavam com uma pequena mudança na pintura padrão da Cidade do Sol: a cor verde, presente na parte interior dos veículos, tinha menor abrangência na carroceria. Além disso, na frente do veículo, havia o nome “Opcional” destacado. O padrão de numeração também era diferenciado, de quatro dígitos – ao contrário da numeração formada por ano do carro + número de ordem do veículo, utilizado pelas empresas municipais naquela época. Internamente, os ônibus tinham configuração de ônibus rodoviários.

No fim da década de 1980, um reordenamento nas áreas de operação das empresas, substituiu a operadora das linhas do conjunto Ponta Negra. A Cidade do Sol deu lugar a TransFlor, que manteve o serviço opcional. Em agosto de 1990, inclusive, na ocasião da mudança de códigos das linhas, o trajeto recebeu a numeração 57 (Ponta Negra/Ribeira, via Praça – Opcional).

A operação do Opcional pela TransFlor também foi através de veículos do tipo Monobloco – aos quais a empresa teve em sua frota. A empresa aproveitou o projeto do serviço Opcional e criou outro segmento diferenciado do transporte entre Ponta Negra e o centro de Natal, desta vez através da Via Costeira, que foi denominado “Costeira”.


No projeto, os ônibus seguiam o mesmo molde do serviço Opcional, com a diferença da operação com pintura própria e a retirada da janela dos ônibus – garantindo grande circulação de ar no veículo e agradando os usuários que transitavam na Via Costeira, que contemplavam ainda mais o clima praiano, entre a Ponta Negra e o centro de Natal. Ao mesmo tempo, em dias de chuvas, o ônibus não podia circular – já que a ausência de janelas permitia que a chuva invadisse a área interna do veículo. A força dos ventos dentro do ônibus também era motivo de reclamação dos usuários, contribuindo para o encerramento do serviço.

Em meados de 1996, foi à vez de a empresa Guanabara colocar seu Opcional nas ruas. Tratava-se de um ônibus rodoviário, de modelo El Bus, que operou a linha 77 (Parque dos Coqueiros/Mirassol). Na ocasião, a empresa alegou o investimento para combater os clandestinos. A proposta era de um serviço expresso, com mais conforto disponíveis aos usuários. Segundo matéria jornalística da época, o serviço Opcional da Guanabara não tinha autorização da secretaria de transportes local, à época. Estima-se que a operação durou pouco tempo, pois não encontrou viabilidade econômica.


Ainda no final da década de 1990, o projeto mais viável ganhou as ruas. Trata-se dos Ligeirinhos, que consistia na operação de linhas urbanas por micro-ônibus, com uma série de especificidades, como o transporte obrigatório de pessoas sentadas; pagamento obrigatório de tarifa inteira ou vale-transporte; e a proposta de viagens mais ágeis, confortáveis e tranquilas para os usuários.




Anos após a implantação do Ligeirinho, houve permissão para que até cinco passageiros pudessem ser transportados em pé, e a partir dai, a superlotação dos veículos passou a acontecer e prevalecer. A proposta de um sistema “Opcional” foi aos poucos deixada de lado, inviabilizando o serviço.

Entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, as empresas urbanas também colocaram em práticas medidas que aumentavam o conforto nos ônibus. Guanabara e Riograndense optaram pela venda de picolés e sorvete dentro dos ônibus. Cidade das Dunas e Santa Maria instalaram TV em alguns de seus veículos. Além disso, na Santa Maria, parte da frota ganhou bancada rodoviária. Os ônibus do modelo Torino GV operaram as linha 35 (Candelária/Rocas, via Praça) e as de Cidade Verde, como Eucalíptos, na área semi-urbana.


A prática da substituição dos bancos comuns por rodoviários nos ônibus urbanos voltou a ocorrer em 2008, quando a empresa Riograndense, então operadora das linhas urbanas, reformou um veículo já presente em sua frota, retirando a bancada convencional e trocando por bancada rodoviária. Tratava-se do carro 06029, do modelo Urbanuss, fabricado pela Busscar. Como o ônibus fazia a operação comum, sem qualquer diferenciação pelo fato de ter os bancos rodoviários, o alto índice de reclamações sobre o pouco espaço que restou no corredor e as dificuldades para os usuários caminharem no coletivo se sobressaíram - possível mesmo motivo que levou a Santa Maria a também retirar a bancada rodoviária de seus ônibus. O veículo da Riograndense operou as linhas da empresa até o ano de 2010. Ainda chegou a ser transferido para a região metropolitana, se tornando fixo da linha semi-urbana 132 (Cidade das Flores/Centro), mas em 2010 perdeu os bancos rodoviários, e uma nova reforma reinseriu a bancada original.

 

Antes dele, os micros que a empresa teve, do modelo Micruss, e disponibilizou a operação nas linhas urbanas e metropolitanas, também tinham bancada e configuração rodoviária.


Na região metropolitana de Natal, um destaque para a operação com ônibus “executivos” fica por conta da empresa Trampolim da Vitória. No final dos anos 1990, a empresa colocou em operação micros com ar condicionado, aposentados na primeira metade dos anos 2000, substituídos por outros micros, convencionais.


No início dos anos 2000, a Trampolim foi além e disponibilizou um ônibus de grande porte. Tratava-se do carro 201, um ônibus rodoviário, do modelo Andare Class, produzido pela Marcopolo, que operava as linhas da empresa. Ele contava com ar-condicionado, garantindo uma operação de alto conforto nas linhas semi-urbanas. Devido o alto custo da manutenção do veículo, ele foi aposentado precocemente: em meados de 2006, já não se podia mais vê-lo rodando.


A empresa disponibilizou outros três ônibus com ar-condicionado e bancada rodoviária em operação nas suas linhas. Estes, porém, tinham configuração urbana. Um ônibus do modelo Svelto e dois Urbanuss Pluss permaneceram na frota da Trampolim até 2010.


Também é possível considerar que algumas operações da região metropolitana, pela qualidade com que foram (ou ainda são) operadas, constituem a presença de ônibus executivos nas linhas da grande Natal.

Foi o caso da empresa Barros, que por anos operou as linhas da região de São José de Mipibu, com ônibus rodoviários ou urbanos adaptados para configuração rodoviária. Alguns dos micro-ônibus, em determinado período, possuíam e operavam as linhas com ar-condicionado. De toda forma, toda sua frota possuía bancada rodoviária e cortinas nas janelas, além do embarque e desembarque pela porta frontal – as exceções para essa questão ficaram por conta dos últimos ônibus zero quilômetro comprados pela empresa, do modelo Torino, que possuíam três portas.


Após ser vendida para o grupo da Trampolim da Vitória, que a transformou na empresa Litorânea, a frota inteira passou a ter o mesmo critério de embarque e desembarque pelas portas dianteiras e traseiras e o conforto dos veículos visivelmente decaiu – já que os bancos rodoviários, ou ao menos acolchoados, foram substituídos por bancos de fibras, presente na maioria dos antigos carros que fazem parte da frota da empresa. Por sorte, as cortinas nas janelas, inibindo a entrada do sol para o interior do veículo, ainda permanecem.

O maior destaque atual fica com a empresa Expresso Cabral. A empresa que se originou operando linhas intermunicipais de longa distância, atua na região metropolitana de Natal desde 2009, quando passou a operar a linha Ceará-Mirim/Natal (Centro). Para a atuação, ônibus e micro-ônibus rodoviários – da frota da Cabral – são escalados, atendendo com conforto aos usuários, especialmente se comparados aos veículos das empresas Oceano e Cidade das Dunas que também operam o trecho (Ceará-Mirim/Natal [Rodoviária]), com ônibus de configuração urbana, alguns deles antigos e desconfortáveis.


UNIBUS RN

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