sábado, 10 de março de 2018

Sargento furta biarticulado e protagoniza perseguição frenética em Curitiba

Foto: Reprodução
Um sargento do Corpo de Bombeiros, possivelmente num ato sem pensar, protagonizou uma perseguição policial no começo da madrugada desta sexta-feira (9). Ele furtou um biarticulado no Terminal do Centenário, rodou por alguns quilômetros, foi perseguido e voltou ao mesmo terminal, onde foi preso.

A ação aconteceu logo por volta da meia-noite e até então não se sabia que ele era um bombeiro. A Tribuna do Paraná apurou que assim que o motorista parou no terminal, não se sabe ainda por qual motivo, o sargento entrou no ônibus com um cão, da raça pastor alemão, e queria que o motorista seguisse viagem.

Com medo, o motorista saiu do coletivo para pedir ajuda da Guarda Municipal (GM). Nisso, o bombeiro assumiu o volante do ônibus e saiu como se não se importasse com a situação. Assustadas, algumas pessoas chegaram até a filmar o que viram, porque não acreditavam que um biarticulado estava sendo furtado.

O sargento seguiu dirigindo o biarticulado no sentido ao Centro de Curitiba, até que foi encontrado por equipes da Polícia Militar (PM), que foram acionadas pelo motorista e pela segurança do terminal de ônibus. Mesmo sendo perseguido, o bombeiro continuou dirigindo o veículo, até que resolveu voltar.

Ele parou no Terminal do Centenário, onde foi preso. Segundo os policiais, o bombeiro estava visivelmente alterado e, ao ser contido, disse que queria só passear com seu cachorro e como o motorista não quis, ele mesmo pegou o coletivo e foi.

O sargento dos bombeiros foi encaminhado à Central de Flagrantes, onde foi feito o registro da ocorrência. De lá, o militar foi levado a um hospital. Ele não deve ser detido, mas sim continuar a ser acompanhado em tratamento psicológico.

Afastado das funções

A reportagem apurou que o sargento trabalha no Corpo de Bombeiros há 13 anos e 11 meses, mas atualmente estava afastado das funções por questões psicológicas. “É uma pessoa com um excelente currículo. Nesse tempo de carreira, recebeu sempre somente elogios e até foi honrado com uma medalha de bronze, que é dada aos militares com 10 anos de efetivo serviço e boa conduta”, contou o tenente-coronel Ricardo Silva.

Conforme o tenente-coronel, que é comandante do sétimo grupamento de bombeiros, onde o sargento trabalha, desde outubro de 2017 o bombeiro se trata com psiquiatras pelos problemas que tem enfrentado. “Ele mesmo que buscou o tratamento. Nisso, teve algumas idas e vindas, mas infelizmente não conseguiu melhorar o suficiente para voltar ao trabalho ainda”.

Enquanto recebe o apoio necessário, o sargento já foi passado para análise psicológica algumas vezes e em todas elas foi afastado das atividades. “Embora esse afastamento, ele queria continuar trabalhando, não queria parar de trabalhar. Está passando por um momento difícil e que nos causou consternação, tristeza. Esperamos que se cure o mais rápido possível e volte a trabalhar conosco, porque faz falta. Todos gostam de trabalhar com ele, sempre recebeu muitos elogios”, completou o tenente-coronel.

Sem sanções

O comandante do sargento explicou que o bombeiro não deve sofrer nenhum tipo de punição pelo o que aconteceu. “Nenhum problema, mesmo porque está coberto pelo atestado médico. Explicamos também que não vai ser aberto nenhum procedimento administrativo, porque não tem o que investigar se já se tornou de conhecimento público. Não temos nenhum registro, sobre ele, de desvios de conduta e neste momento só torcemos para que volte o quanto antes”.

Para o tenente-coronel, todo mundo acredita que o tratamento psicológico é uma forma de fugir do trabalho. “Mas quando a pessoa chega a este ponto, significa que a coisa ficou séria e que o profissional precisa realmente de atenção. No caso dele, por exemplo, insistia em voltar ao trabalho, mesmo não podendo”.

Segundo Ricardo Silva, que cuida de um grupamento responsável pelo resgate e salvamento em 31 bairros de Curitiba e também da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), o problema que passa o sargento não é algo frequente entre os bombeiros. “Não temos muitos registros de bombeiros que estejam passando por problemas. É por isso que tudo o que a instituição pode fazer, tem feito por ele. Vincular isso a profissão seria leviano”, considerou.

Tribuna PR

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