domingo, 10 de junho de 2018

Greve na Mercedes teve forte impacto na produção de pesados

Ilustração/UNIBUS RN
A produção de caminhões e ônibus recuou 25,4% em maio na comparação com abril não só pela greve dos caminhoneiros, mas também pela paralisação de oito dias úteis dos metalúrgicos na fábrica da Mercedes em São Bernardo do Campo. Embora nem a associação dos fabricantes (Anfavea) nem a montadora confirmem, pelo menos metade dos 3,1 mil caminhões e ônibus que deixaram de ser montados em maio seria Mercedes-Benz.

Analisando os números totais de caminhões, a produção de maio foi de 7,4 mil unidades, 18,4% abaixo de abril. No acumulado do ano, as 40,9 mil unidades fabricadas representam alta de 40,1% sobre os mesmos cinco meses do ano passado. 

Na análise por segmentos, a queda mais acentuada na produção de maio ocorreu para os caminhões pesados. As montadoras fabricaram 3,2 mil unidades, 26,1% a menos que em abril.

EXPORTAÇÃO RECUA QUASE 35%

A exportação de caminhões em maio somou apenas 1,8 mil unidades e resultou em queda de 34,8% ante abril, mais uma vez como reflexo também da greve ocorrida na Mercedes. “Mas estes são contratos que temos de cumprir e os embarques vão ocorrer em algum momento”, recorda o presidente da Anfavea, Antonio Megale.

No acumulado do ano as montadoras enviaram 11,8 mil caminhões ao exterior, 9,2% a mais que nos mesmos cinco meses de 2017.

EMPLACAMENTOS

No mês de maio foram licenciados no País 5,6 mil caminhões novos, volume 8,7% menor que o de abril. “Com a greve dos caminhoneiros deixaram de ser emplacados entre 500 e 600 caminhões”, estima Megale. No acumulado de janeiro a maio foram lacrados 26,3 mil caminhões, revelando crescimento de 52,7% na comparação interanual. 

“Mas ressaltamos que o crescimento ainda ocorre sobre uma base de comparação muito baixa”, afirma o vice-presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. O segmento de caminhões pesados também registra a maior alta dos emplacamentos no acumulado do ano. Com 11,7 mil unidades, cresceu quase 90% sobre iguais meses do ano passado. O agronegócio impulsiona as vendas internas do segmento para transporte de cana-de-açúcar, grãos e madeira.

PRODUÇÃO DE ÔNIBUS RECUA 44,7% NO MÊS

A fabricação de chassis para ônibus também foi bastante afetada pela greve dos caminhoneiros e por aquela ocorrida na Mercedes, a maior montadora desse segmento. De abril para maio a produção caiu de 3,3 mil para 1,8 mil unidades, 44,7% a menos. 

A exportação de 584 unidades em maio resultou em queda de 23,5% em relação a abril. Mas, novamente, no acumulado do ano ainda se verifica alta de 24,4%, com 3,8 mil unidades enviadas ao exterior. O crescimento só não é mais alto porque os embarques de ônibus em 2017 foram expressivos, compensando em parte a retração nas vendas internas. 

O emplacamento de 980 ônibus em maio resultou em alta de 5,8% sobre abril. No acumulado do ano foram licenciadas 4,7 mil unidades, com alta de 28% sobre igual período do ano passado.


MERCEDES USARÁ OS SÁBADOS PARA RETOMAR O RITMO

A Mercedes-Benz vai utilizar os sábados para compensar os dias parados durante a greve dos metalúrgicos que afetou a unidade de São Bernardo do Campo. A montadora vai compensar os oito dias da greve dos metalúrgicos com trabalho aos sábados. 

A Mercedes informa que durante a greve dos caminhoneiros concedeu um dia de descanso remunerado à produção de caminhões e dois à produção de ônibus.

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