segunda-feira, 16 de julho de 2018

Buenos Aires é a primeira cidade da América Latina a adotar pedágio urbano

Crédito: Rodrigo Néspolo
Desde 15 de maio de 2018, Buenos Aires se junta à pequena, mas importante lista de cidades que instituíram o pedágio urbano, uma forma de cobrar dos motoristas de veículos particulares que circulam por sua região central. Durante alguns meses antes da cobrança, a cidade trabalhou com a conscientização da medida, com vistas a “melhorar a qualidade de vida de mais de um milhão de pessoas que visitam diariamente o Centro Peatonal, reavaliando a área e reorganizando o tráfego”.

Desta maneira, a capital portenha passou a integrar o rol de grandes metrópoles como Londres, Milão e Cingapura, além de cidades menores como Durham, na Inglaterra, ou La Valeta, em Malta, que já implementaram esta medida.

Para o especialista ambiental Olimpio Alvares, o pedágio urbano eletrônico, como o de Cingapura, “é a única saída para viabilizar a mobilidade motorizada individual em centros e corredores congestionados; o que é arrecadado é transferido para custeio da melhoria do transporte público”, ele diz.

Cingapura foi a primeira cidade a introduzir a cobrança, em 1998. Mas no chamado “mundo ocidental” o caso mais alardeado é o de Londres, que aplica sua “taxa de congestionamento” desde 2003.

Buenos Aires é a primeira cidade na América Latina a aprovar um tipo de pagamento que penaliza os carros que querem circular pelo centro da cidade. A medida objetiva incentivar e valorizar o uso de outras formas de mobilidade, como a caminhada, a bicicleta e o transporte público.

A área central totaliza quase 70 quadras e uma superfície de um pouco mais de dois quilômetros quadrados.

O governo da cidade, quando instituiu a medida, esperava reduzir o tráfego de veículos dentro do perímetro em 50%, o que representa 35.000 carros a menos circulando pelas ruas do bairro histórico de Buenos Aires.

Para entrar na área central da cidade os motoristas devem pagar um pedágio anual de 1.560 pesos (equivalente a R$ 220), além de comprovar que possuem estacionamento próprio ou alugado dentro do perímetro.


Mas é preciso antes obter a permissão, o que pode ser feito através de inscrição on-line. Após isso é preciso pagar o valor do pedágio, e anexar a documentação necessária.

A fiscalização para garantir o respeito ao pedágio é realizada através de 80 câmeras organizadas em toda a extensão da área de restrição, que entra em vigor de segunda a sexta-feira, das 11h às 16h. Quem viola os regulamentos está sujeito a multa.

PERÍMETRO DE RESTRIÇÃO SERÁ AMPLIADO

O perímetro de restrição será estendido para 142 quadras em outubro deste ano, e em 2019 o prazo também será estendido, passando das 9h:00 às 18h:00.

Quando anunciou a medida, o secretário de Transportes da capital argentina, Juan José Méndez, afirmou: “No total, vamos dobrar a área de proibição de carros”.

Em São Paulo, que há vários anos adotou apenas o rodízio de carros como forma de desincentivar o uso do automóvel no chamado centro expandido, a única experiência até o momento é a “Sexta sem carro”.

Assim como São Paulo, a Cidade do México só colocou em prática mecanismos de restrição aos automóveis baseados nas placas dos carros (como Santiago e Bogotá, entre outros), mas todas elas nunca apostaram em um sistema de cobrança para aqueles que desejam transitar com seus carros pelo centro da cidade, nem promoveram uma política pública que desestimula agressivamente o uso de veículos motorizados na região central.

Diário do Transporte

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