domingo, 9 de setembro de 2018

Artigo - Prioridade para o coletivo?

A cada nova eleição, assistimos a um festival de propostas apresentadas pelos candidatos em disputa que, após a abertura das urnas e conhecidos os vencedores, viram palavras perdidas no ar. No transporte público, especialmente, essas promessas têm se mostrado tão mirabolante quanto inexequíveis. Quem não lembra do Aerotrem do sempre candidato Levy Fidélix, ligando grandes cidades do país ou do Fura-fila do candidato Celso Pitta, depois eleito prefeito de São Paulo, que prometia resolver o eterno problema do transporte da maior cidade do país?...

Reprodução/InterTV


Essas foram apenas algumas das muitas propostas que só funcionaram durante o horário eleitoral. Finda a eleição, a vida real continua a mesma, com o transporte sofrendo pela falta de prioridade por parte dos governos. Nas vésperas de mais uma eleição precisamos parar um pouco para refletir sobre o que realmente queremos do próximo governo. Precisamos tratar dos muitos problemas que nos afligem, com racionalidade e coerência.

O Rio Grande do Norte, assim como o resto do país, enfrenta graves problemas na segurança e na saúde pública, na geração de empregos e na falta de infraestrutura, na educação e no social, mas não podemos fechar os olhos para a crise pela qual passa o transporte público de passageiros em nosso estado. Nos últimos 12 anos (3 mandatos), muitas empresas fecharam deixando centenas de profissionais sem emprego, dezenas de comunidades sem transporte público e os cofres públicos mais vazios com a queda de recolhimento de impostos.

Os ônibus que ainda circulam pelas estradas do interior do Estado, enfrentam vias esburacadas e sem sinalização adequada, o risco de acidentes e a avassaladora concorrência do transporte clandestino, que circula livremente, a margem da lei, sem qualquer controle do Estado e, porque não dizer, até sob a proteção de certos setores dele.

A falta de segurança, que põe em risco a vida de passageiros e profissionais do transporte, é outro gargalo que precisa ser enfrentado com coragem e energia pelo Estado.

Desde a década de 1990, faltam técnicos na estrutura de governo, que estudem as melhores alternativas para funcionamento do transporte público e desenvolvam soluções que atendam aos interesses da população e às necessidades desse serviço essencial. Faltam medidas simples e eficazes, como as adotadas há anos por algunas estados brasileiros e países vizinhos, que ousaram se desapegar da política populista e tornaram-se vanguarda nas soluções de mobilidade e transporte público.

Falta também, uma justa remuneração dos serviços prestados pelas empresas operadoras do serviço de transporte, essa é outra qustão essencial para a sobrevivência do sistema público de transporte. Atualmente, apenas o valor pago pelos passageiros custeia o serviço. E atualmente há dezenas de gratuidades e benefícios garantidos a segmentos da população que poderiam pagar a passagem. Nessa equação, quanto menos passageiros pagam, mais caro fica o custo do serviço para eles. Quando todos pagam o justo, todos pagam menos e garante-se a rentabilidade do setor e capacidade de investimento da empresas em melhorias do serviço.

Falta uma política de subsídio do óleo diesel, um dos insumos mais caros para a operação da frota de ônibus, a exemplo do concedido a outros setores da economia, como a aviação e a indústria pesqueira. Falta aos governantes do nosso Rio Grande do Norte deixarem o discurso eleitoreiro de lado e para colocar o transporte público de passageiros na pauta de prioridades. Quando será que nossos políticos vão abrir os olhos para enxergar o Transporte Público de Passageiros como solução?... Quando ele não mais existir?... Esperamos que não.

Eudo Laranjeiras - Presidente da Fetronor

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