domingo, 23 de setembro de 2018

Dos pequenos aos gigantes, eletromobilidade é o que vai mover o mundo, dizem especialistas

Mais que tendência, a eletromobilidade já tem sido realidade em muitas regiões do mundo, principalmente na Europa, parte da Ásia e, mais recentemente, América do Norte.

Nos chamados países em desenvolvimento, o ritmo é outro, mas, aos poucos, os veículos elétricos mostram a que vieram.


Ocorreu em São Paulo, a 14ª Plataforma Latino-Americana de Veículos Elétricos, Híbridos, Componentes e Novas Tecnologias, que reúne congressos com especialistas e uma feira, onde são expostos veículos de diversos portes, desde patinetes e bicicletas, passando por carros populares e de luxo, por veículos comerciais de transporte de cargas até ônibus.

Em relação às edições passadas, é possível perceber que os veículos estão esteticamente melhores, mais compactos e, segundo os fabricantes, mais eficientes.

Marcas tradicionais de automóveis, como Renault, Volvo, Toyota e Lexus mostram que pretendem ampliar a participação no segmento de elétricos na América Latina.

As fabricantes dos chamados leves e levíssimos ampliaram a gama de veículos, entre patinetes, bicicletas e carros para uma ou duas pessoas.

E neste segmento, a presença de empresas nacionais tem se destacado.

A Connect, por exemplo, apresenta pela primeira vez no evento um carro para duas pessoas, elétrico movido com quatro baterias de 12 volts cada, e que pode ser conectado a aplicativos e plataformas tecnológicas de mobilidade.

A autonomia é para até 80 quilômetros. O veículo é o MWA, que, por enquanto, é destinado para circuitos internos, como em empresas e instituições de ensino, mas o diretor da Connect, Mário Weiser André, diz que em breve o veículo deve ser homologado para circular em vias públicas e um dos objetivos é complementar o transporte coletivo.

“Já temos empresas interessadas. O veículo pode ser usado de forma compartilhada na chamada última milha. As pessoas podem sair de estações de trem, metrô e terminais de ônibus e acabarem suas viagens nestes veículos”, revela.

O carro é desenvolvido no pólo industrial e tecnológico do Rio Grande do Sul.

MWA é um veículo para circuitos internos. Foto: Adamo Bazani

Em relação aos veículos pesados, os destaques são para a BYD, empresa chinesa que atua no Brasil desde 2015, e Eletra, que tem 100% de capital nacional e há mais de 30 anos fabrica em São Bernardo do Campo, ônibus híbridos, elétricos e trólebus.

A BYD mostra seu ônibus 100% elétrico de piso alto. O veículo pode ser usado em corredores com plataformas de embarque no nível do assoalho ou em vias onde é difícil a operação com veículos de piso baixo.

Ônibus da BYD é 100% elétrico e tem piso alto. Foto: Adamo Bazani

A Eletra exibe o Dual Bus, um modelo que pode funcionar tanto como elétrico puro, com baterias por 20 quilômetros a cada volta, ou como híbrido em série, com um pequeno motor a diesel que gera energia para um motor elétrico, único responsável pela tração dos veículo.

O modelo já está em operação no Corredor Metropolitano ABD, desde 2016. Na feira, o Dual Bus de 13,2 metros faz o transporte dos visitantes do local da feira até o a estação Santo Amaro, da CPTM.

Um outro Dual Bus, na versão de 23 metros, opera desde 2015 como trólebus + híbrido.

Dual Bus opera no corredor ABD, na Região Metropolitana de São Paulo. Foto: Adamo Bazani

O evento foi promovido pela ABVE (Associação Nacional do Veículo Elétrico), que reúne os fabricantes do setor.

O presidente da entidade, Ricardo Guggisberg, disse que o objetivo do setor é que seja criada no Brasil uma Política Nacional de Mobilidade Elétrica.

“Uma série de incentivos tributários, para a circulação nas cidades e para o desenvolvimento de pesquisas são necessários, mas não pontualmente, deve haver uma política estabelecida que resiste a gestões, a cada governo.  É isso que os países desenvolvidos estão fazendo”, comentou.

Além dos veículos, a feira também expõe peças e serviços, como postos de recarga, manutenção e até mesmo reciclagem de baterias.

O responsável de vendas da empresa Umicore, especializada no refino de metais, disse que uma bateria com material reciclado funciona como nova, tanto em veículos como em componentes eletrônicos.

Diário do Transporte

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