segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Mais de 46 milhões deixaram de utilizar ônibus em Fortaleza

A crise econômica, aliada à maior concorrência de demais modais, como bicicletas, transporte por aplicativos, carros compartilhados, vans e outras alternativas, ocasionou uma diminuição de mais de 46 milhões de passageiros pagantes de ônibus urbanos em Fortaleza desde 2014. Somente em 2018, a média mensal de passageiros pagantes já caiu 1,19 milhão. Até junho deste ano, a média mensal foi de 16,9 milhões. Já em 2017, esse número foi de 18,1 milhões.

Foto: Nildo Barroso/MOB Ceará

Entre os fatores para a trajetória descendente analisados pelo superintendente técnico do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), Pessoa Neto, estão a recessão, que desempregou milhares de pessoas na Capital, os outros modais, como os aplicativos (Uber, 99 Táxi), e as motocicletas. "A crise não é a única justificativa. Quando nós detectamos, em 2015 essa tendência de queda, analisamos diversas hipóteses. Se a gente estava tendo algum tipo de concorrência desleal, se isso era algo ligado ao transporte alternativo, se o pessoal estava migrando para algum outro concorrente. Não detectamos isso", diz.

Faturamento

Apesar da retração do número de passageiros, o Sindicato informou que o faturamento das empresas de ônibus subiu 3,35% no ano passado, ante com 2016, somando R$ 691,8 milhões. "Nós não conseguimos arrecadar o suficiente para cobrir os nossos custos. O faturamento subiu menos que os custos operacionais", explica Pessoa Neto.

No primeiro semestre deste ano, o valor faturado ultrapassa R$ 341 milhões, alta de 0,65% em relação a igual período de 2017. Segundo Pessoa Neto, os aumentos de faturamento dos últimos anos se devem basicamente aos reajustes da tarifa. "A questão de a gente vir de 2014 a 2017 apresentando algum acréscimo na arrecadação é explicada pelos reajustes tarifários. Em 2016, a passagem de ônibus custava R$ 2,75, em 2017, R$ 3,20, Neste ano, passou para R$ 3,40. O reajuste maior que a inflação é devido à diminuição da demanda equivalente".

Comportamento

De acordo com ele, a análise passou a verificar o comportamento percentual das categorias, como estudantes, gratuitos, usuários de vale-transporte, entre outros.

"Nós observamos que a queda era praticamente em todas as categorias de passageiros, com exceção das gratuidades. Claro que existem esses fatores do home office da pessoa que não pega mais um transporte para ir a um restaurante e pede por aplicativo, aquele que não vai mais a uma loja e compra pela internet. Tudo isso interfere. Existe uma série de fatores e um deles é essa competitividade de outros meios de transporte que hoje se tem uma facilidade muito grande de adquirir uma moto. Hoje em dia a frota de moto está aumentando muito mais rápido que a de automóveis", resume.

Tarifa

Os aumentos progressivos nas tarifas de ônibus da Capital são, em parte, por conta da queda no número de passageiros do transporte público. De acordo com o Sindiônibus, a demanda equivalente mensal tem se retraído. Em 2014, eram 263,3 milhões de usuários. Em 2017, esse número ficou em 217,3 milhões, uma redução de 17,4%.

"A demanda equivalente é a que sustenta o transporte. Um passageiro que paga uma tarifa inteira é um passageiro equivalente. Dois estudantes, se pagam meia-passagem, é um passageiro equivalente. A pessoa que utiliza o sistema e é gratuito, ele é zero passageiro equivalente. A gente tem um acompanhamento estatístico de longa data, mas nós começamos a observar um declínio na demanda pagante de Fortaleza a partir de setembro de 2015. Todos os sistemas de transporte coletivo por ônibus no Brasil estão perdendo demanda principalmente a demanda pagante que é o que sustenta o sistema", diz Pessoa Neto.

Segundo ele, a média mensal de passageiros pagantes na Capital tem caído drasticamente desde 2014. Naquele ano, eram 21,9 milhões de usuários, e em 2017, eram apenas 18,1 milhões. Neste ano, até junho, a média mensal está em 16,9 milhões de passageiros pagantes. "Veja que em 2014, a gente tinha quase 22 milhões de passageiros equivalentes por mês. Em 2015, essa média já caiu para 21,5 milhões. Em 2016, eram 20,2 milhões, então nós já perdemos em relação ao ano anterior 1,3 milhão por mês. 2018 está aqui e nós não temos o ano completo. A média de janeiro a junho ficou abaixo de 17 milhões, uma queda acumulada de 2014 a 2018 de 23%. Essa é uma situação extremamente preocupante".

Diário do Nordeste

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