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SP: Transporte público gratuito apresenta sucateamento e insegurança em Agudos

O sistema de ônibus gratuito implantado em Agudos (SP) desde 2003, que já chegou a ser destaque pela não cobrança de passagem, sofre atualmente com sucateamento da frota e com a sensação de insegurança que afeta cerca de 4,5 mil passageiros que usam o serviço todos os dias.

Maior parte da frota atual estava parada na garagem da prefeitura nesta semana: sucateamento — Foto: TV TEM/Reprodução

A reportagem da TV TEM embarcou nos ônibus, percorreu algumas linhas e flagrou vários problemas. Entre eles, passageiros encostados em porta que não abre e presa a um pedaço de fio, além de bancos soltos e falta de extintor de incêndio.

A reportagem também encontrou veículos com pneus carecas, faróis queimados e lataria danificada.

Segundo a lei municipal de 2003, que criou o sistema, os “veículos deverão ser mantidos em perfeitas condições de funcionamento". Ainda de acordo com a lei que instituiu o serviço, "a frota deve ter idade máxima de fabricação de seis anos”.

No entanto, os ônibus que rodam atualmente na cidade foram fabricados em 2006, ou seja, já têm 13 anos de fabricação.

A situação é tão crítica que até mesmo um dos motoristas da frota registrou boletim de ocorrência por causa do risco de acidentes. Osvaldo de Oliveira Salvador conta que passou por apuros quando o freio falhou em duas ocasiões.

“No dia 25 de fevereiro um ônibus perdeu o freio. Eu consegui parar, mas foi um apuro. Pedi desculpas aos passageiros. Dois dias depois o mesmo aconteceu na Avenida Antônio Conde, e nos dois casos os passageiros precisaram ir embora a pé porque não havia carro reserva”, conta o motorista.

O Ministério Público de Agudos abriu um procedimento para apurar as condições dos veículos e aguarda um posicionamento da prefeitura.

De 2003 a 2014 o transporte era feito com frota própria da prefeitura e durante três anos o serviço foi feito através de concessão.

Até 2017, a prefeitura pagava R$ 150 mil por mês para uma empresa terceirizada fazer o transporte, mas na época decidiu comprar os próprios veículos.

A administração gastou R$ 506 mil na compra de 20 ônibus, mas a maioria deles está inativa – nesta semana, 11 ônibus estavam parados na garagem da prefeitura à espera de algum conserto.

Desrespeito às leis de trânsito

Além de fazer o transporte na cidade, o sistema de transporte gratuito leva e busca trabalhadores em uma área rural de Agudos. Para isso, o veículo precisa percorrer cerca de 10 quilômetros pela Rodovia Marechal Rondon.

Um dos ônibus da prefeitura de Agudos foi flagrado em rodovia com farol queimado — Foto: TV TEM/Reprodução

A reportagem registrou situações em que o ônibus trafegava com os faróis apagados, o que é proibido na rodovia. Além disso, o motorista não usava o cinto de segurança e os faróis estavam queimados.

A Polícia Rodoviária informou que na última terça-feira a prefeitura foi autuada por falta de licenciamento do veículo usado na estrada e suspendeu temporariamente a linha.

Outro lado

A prefeitura de Agudos afirma que gasta R$ 125 mil por mês com as despesas do transporte e que já foram feitas duas vistorias nos ônibus.

Além disso, diz que a decisão de manter a frota própria gera uma economia de quase 50% no custo de manutenção com o uso de peças sobressalentes.

Em nota, a prefeitura disse que são quatro linhas de transporte gratuito e que há carros extras em horários de pico.

Sobre as condições de lataria, bancos e pneus, a nota informou que a prefeitura “vem fazendo as manutenções, mas que os veículos sofrem atos de vandalismo”.

Em relação aos freios, a nota só traz informações técnicas sobre o sistema de frenagem , mas não responde à denúncia de que muitos carros perdem os freios.

Ao final, a nota informa que “o departamento jurídico está analisando a lei que dispõe sobre a idade da frota”.

Frota está sucateada com idade de fabricação superior ao que determina a lei que criou o sistema gratuito — Foto: TV TEM/Reprodução

G1 Bauru

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