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Trólebus 70 anos: Um meio de transporte que é viável para os dias de hoje e para o futuro

Nesta segunda-feira, 22 de abril de 2019, o trólebus completa 70 anos no Brasil. Ao contrário do que muitos possam pensar, este meio de transporte não é sinônimo de passado ou simplesmente uma página na história da mobilidade.

O trólebus se modernizou ao longo dos anos e é considerado por especialistas um modal viável para a realidade das grandes cidades. Foto: Adamo Bazani

Diversos sistemas de transportes no mundo ainda mantêm redes de ônibus elétricos como nos Estados Unidos, Canadá e países de Europa, muitos dos quais com veículos modernos que, com a tecnologia, conseguem superar uma das maiores críticas ao modal: a falta de flexibilidade por depender da rede aérea de fios.

Os modelos mais modernos de trólebus, inclusive no Brasil, possuem baterias que dão maior “liberdade” para os veículos, que podem percorrer trechos sem estar conectados à fiação, o que é útil em casos como problemas no fornecimento de energia, manobras ou mesmo extensão e desvios de itinerários. A autonomia depende do banco de baterias e fatores como as condições de rampa e da lotação.

Outro problema que motivava as críticas em relação aos trólebus também foi minimizado pelos avanços tecnológicos: o desprendimento das alavancas dos fios, que, no passado, eram responsáveis por longos congestionamentos em locais onde há o compartilhamento das vias com os demais carros, como na região central da cidade de São Paulo. Estão entre estes avanços as hastes flexíveis, para absorver os impactos devido às ondulações da via, e alavancas pneumáticas, sem a necessidade de o motorista ir atrás dos trólebus e manipular as cordas das alavancas para conectar novamente à rede.

No momento em que o mundo discute como reduzir as emissões de gases e ruídos nas cidades e; no Brasil, com São Paulo assumindo o protagonismo de deixar os ônibus menos poluentes ao estipular metas, para especialistas, o trólebus poderia ter um papel fundamental para alcançar estes objetivos por ser uma tecnologia amplamente conhecida e de baixo custo em comparação com outras alternativas, como ônibus elétricos com bateria, a hidrogênio ou mesmo a gás.

A indicação principal para estes veículos é em corredores exclusivos.

“O trólebus é tracionado por sistema elétrico que não emite gases efeito estufa, sendo assim, não agride o meio ambiente. Portanto, é um veículo ambientalmente correto. A transformação da tração do combustível fóssil extremamente poluente está com seus dias contados. Enquanto as baterias não estiverem com seu estágio tecnológico de evolução concluído e comprovado, ainda não existe segurança total quanto à sua utilização em trechos longos. Portanto, o trólebus é no médio prazo a solução mais viável em BRT – Bus Rapid Transit [corredores de ônibus de maior capacidade]” – disse ao Diário do Transporte, o engenheiro Roberto Berkes, coordenador do Grupo de Trabalho de Trólebus/ Ônibus elétrico da UITP  – União Internacional de Transporte Público.

O diretor de planejamento e transporte da AEAMESP – Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô, Ayrton Camargo e Silva, diz que os sistemas de trólebus devem ter como principal atributo na hora da escolha num planejamento de transporte público o aspecto ambiental, de acordo com as características de cada região atendida.

“Uma linha de trólebus não deve ser pensada como uma linha de ônibus comum. O foco deve ser ambiental e é necessário levar em conta as características de cada região. Os sistemas são muito bem indicados para corredores onde é difícil a dispersão das emissões de poluentes, como os cercados por prédios. Exemplos são o Corredor da Avenida 9 de Julho ou a Avenida Celso Garcia, em São Paulo. A equação econômico-financeira é outro aspecto fundamental, calculando os custos com a infraestrutura e a demanda atendida” – disse Ayrton ao afirmar também que a tecnologia do trólebus é consolidada enquanto a dos ônibus elétricos com bateria ainda está em desenvolvimento.

O presidente do Movimento Respira São Paulo e profissional do setor de mobilidade sustentável, Jorge Françozo de Moraes, lembra que a capital paulista chegou a ter o maior sistema do hemisfério sul em 2000, com 559 veículos e 326 km de rede bifilar. O especialista diz que as tecnologias se desenvolveram e tornaram os trólebus flexíveis e ainda vantajosos diante dos ônibus somente com baterias.

“As baterias, apesar de estarem em desenvolvimento, possuem, atualmente, uma vida útil da ordem de 5 a 8 anos, o que obrigaria a sua substituição no meio da vida útil do veículo elétrico, estimada em 20 anos, no mínimo. Esse fato compromete a questão financeira do sistema, e não a tecnológica, pois, as baterias ainda estão muito caras e não sabemos se o desenvolvimento para a produção de baterias mais leves e mais potentes vão ser mais caras ou mais baratas. O ideal seria juntar as vantagens dos trólebus, aliadas às dos ônibus a baterias e eliminando as características negativas de ambos, ou seja, utilizar o “trólebus bimodal” que vai diminuir a sua dependência da rede, graças ao uso de bancos de baterias menores para autonomias menores de até 50 km. As extensões das redes a implantar seriam reduzidas na ordem de 30 a 40% e a recarga das baterias seriam feitas durante a operação dos veículos, “transportando passageiros”, conectados à rede, eliminando a necessidade de subestações de grande porte nas garagens e terminais e a necessidade dos veículos ficarem “parados”, durante 3 a 4 diariamente para recarga.” – disse em artigo enviado ao Diário do Transporte  – (veja mais abaixo)  –

O pesquisador de Transporte Coletivo por Ônibus, Mario dos Santos Custódio, explica que as cidades que até hoje mantém sistemas de trólebus proporcionam vantagens, como mais qualidade de vida à população. Para o especialista, o trólebus ainda é a melhor alternativa não poluente de transportes sobre pneus.

“Não há a menor dúvida de que o trólebus é o melhor meio de transporte quando se fala em escolha por um transporte limpo e renovável, em vários sentidos. Este meio de locomoção não polui o ar, não polui o som e não polui o viário por onde passa. Por ser tracionado a energia elétrica não despeja na atmosfera partículas derivadas da queima do petróleo e é silencioso, quando em contraposição aos barulhentos motores do Ciclo Otto-Diesel. Assim sendo, as cidades que optaram e ainda mantém sistemas de trolley buses em circulação certamente oferecem ao povo melhor qualidade de vida que, em suma, é o que todos desejam.” – comenta.

No Brasil, há três sistemas de trólebus em operação:

– Capital Paulista:


Com 200 unidades operadas pela Ambiental Transportes entre a zona Leste e o centro da cidade. Após o início da vigência dos novos contratos, as operações serão classificadas no lote de “Articulação Regional 0 –que é definido pelas regiões onde há rede aérea, sob responsabilidade do Consórcio TransVida (Ambiental Transportes Urbanos S.A., Transppass- Transporte de Passageiro Ltda  e RVTrans Transporte Urbano S.A.– originada da Ambiental Transportes Urbanos).

– Corredor Metropolitano ABD:


Com aproximadamente 80 trólebus operados pela empresa Metra, do Grupo ABC, da família Setti Braga, que também é dona da Eletra Industrial, companhia que fabrica os sistemas e componentes de trólebus.  O corredor liga em 33 km as cidades de São Paulo (Jabaquara – zona Sul e São Mateus- zona Leste), Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema. A extensão de 12 km entre Diadema e Brooklin, na zona Sul de São Paulo, não é eletrificado, apesar de o projeto original ter previsto a rede.

– Santos:


Com apenas seis trólebus ano 1988 operados pela Viação Piracicabana, do Grupo Comporte, da família do empresário Constantino Oliveira (Nenê Constantino).  Os seis trólebus não operam juntos de uma vez e a circulação é apenas na linha 20, que liga a praça Mauá, no Centro, à praça da Independência, no Gonzaga. Os veículos não pertencem à Piracicabana, mas integram o patrimônio público, sendo vinculados à CET – Companhia de Engenharia de Tráfego responsável pelo gerenciamento dos transportes. Os veículos são “herança” da empresa pública, que operava na cidade, CSTC – Companhia Santista de Transportes Coletivos.

Atualmente, o único plano concreto para os trólebus no Brasil é na capital paulista. A licitação dos transportes, que está e fase de assinatura de contratos, prevê a inclusão de mais 50 trólebus novos, mas sem ampliação da rede. Os novos veículos aproveitariam trechos subutilizados.

Acesse matéria completa e veja a história do Trolébus:

Diário do Transporte

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