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Metrô já é o quinto maior 'shopping' de São Paulo

Os fornos não têm sossego na estação da Luz. Na loja de Lucas de Souza, 23, o entra e sai de clientes é incessante. A maioria deles em busca de uma porção de dez minipães de queijo a R$ 1,99. A loja é um dos 374 pontos de venda nas estações e terminais de ônibus vinculados ao Metrô de São Paulo.

Foto: Danilo Verpa/Folhapress

O número qualificaria o Metrô a ser o quinto maior centro de compras da cidade, com mais lojas que os shoppings Eldorado e Iguatemi.

Além disso, o Metrô tem conseguido aumentar a eficiência na arrecadação do aluguel de espaços em estações e terminais de ônibus.

De janeiro a abril de 2019, arrecadou R$ 19,6 milhões com esses serviços. O valor é 8% maior do que o mesmo período de 2018, que era recorde. O resultado de 2019 é praticamente o dobro do mesmo período de 2014.

Ainda que o valor seja pequeno diante dos R$ 2 bilhões de receitas tarifárias anuais, o recurso ajuda a dar folga no orçamento para a operação das quatro linhas geridas pela estatal, diz a empresa.

O presidente do Metrô, Silvani Alves Pereira, explica que quase toda a receita vem da tarifa paga pelo usuário. O recurso é responsável pela operação e manutenção das linhas.

“Mas há também a possibilidade de buscar em outras receitas para investir em outros serviços. Não dá para criar uma nova linha [com a renda acessória], mas dá para trazer melhorias, criar um acesso diferente a uma estação”, diz.

Um acesso à estação Paulista, da linha 4-amarela, pela rua Bela Cintra, deve ser feito em parte com esses recursos.

A circulação diária de quase 4 milhões de passageiros, das 4h40 à 0h, é o principal atrativo. “Quando a gente abre a nossa loja, às 4h40, já tem uma fila de clientes esperando”, diz Lucas de Souza, 23, que tem sete lojas no Metrô e na CPTM.

Apenas no Metrô, a família Souza, que começou com lojas na estação Itaquera, tem ao menos 14 unidades. “É só o que a gente sabe fazer”, brinca.

Cerca de 40% das lojas no Metrô vendem comida. São quase três por estação da rede. E não só de pão de queijo esse setor vive. Nas estações do Metrô é possível encontrar unidades de grandes redes como Ragazzo e McDonald’s.

Depois das lanchonetes, pontos de venda de celulares e cartões de telefonia móvel são os mais frequentes.

As bonbonnières ocupam o terceiro posto entre as mais frequentes. Nesse ramo específico, outra grande marca presente nas estações é a loja de chocolates Cacau Show.

A unidade na estação Barra Funda, por exemplo, é a mais movimentada de todas as lojas da marca em São Paulo (com exceção das megalojas). Outras duas estações da Cacau Show nas estações estão entre as dez mais movimentadas.

Outras lojas nas estações são as de cosméticos, roupas, sapatos, farmácias, livraria e estandes de clínicas, planos de saúde e universidades.

Em relação a 2015, o número de lojas no Metrô chegou a cair, de 410 para os atuais 374. Ainda assim, a arrecadação com aluguel aumentou.

A virada aconteceu em 2016, quando o aluguel dos espaços passou a ser licitado por meio de pregões, o que fez a concorrência aumentar.

Neste ano, o pregão do espaço de uma lanchonete no Jabaquara tinha lance mínimo de pouco mais de R$ 11 mil. O valor final foi de mais de R$ 52 mil, ágio de 360%.

Segundo Silvani Pereira, o Metrô a partir de agora passará a planejar suas futuras estações levando em conta, além do fluxo dos passageiros, a melhor forma de conseguir explorar serviços acessórios, como o aluguel de espaços.

Faz parte desse plano a concessão de 13 terminais de ônibus. Em 7 deles, deverá ser possível a construção de empreendimentos sobre os terminais, tais como faculdades, hotéis e até residências.

Folha de SP

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