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O uso do itinerário lateral nos ônibus de Natal – Parte I

Historicamente, item faz parte da frota local

Apesar de não ter um sistema padronizado em relação à frota de ônibus, determinando a obrigatoriedade de itens e até mesmo o posicionamento das portas, espaçamento dos bancos, etc – a frota de Natal conta com itinerários laterais nos ônibus, informando à linha que o coletivo está operando, e contribuindo com os usuários no momento do embarque.

Arquivo/UNIBUS RN

O uso do itinerário lateral na frota potiguar é antigo: ele está presente desde que o sistema de ônibus da capital começou a se projetar, na década de 1970. A partir da possível primeira organização do sistema local, ocorrida em meados da década de 1980, que dividiu a cidade em áreas de atuação de acordo com as empresas operadoras, os registros da época já mostram a presença do itinerário lateral, naquela época, próximo à porta traseira, por onde ocorria o embarque dos ônibus.

No primeiro momento, as empresas utilizavam placas indicando o número da linha e os principais pontos por onde aquele trajeto passava.


O sistema de operação de acordo com áreas foi descontinuado ao longo dos anos de 1980, por falta de políticas públicas das gestões municipais. Com isso, o sistema local tornou-se desorganizado, contribuindo para o aumento no número de linhas e expansão das operações das empresas. O crescimento forçou a mudança no critério de numeração das linhas urbanas, que em agosto de 1990 deixaram de ter 4 dígitos – onde o primeiro indicava a área a qual aquela linha estava englobada – para um sistema sequencial, de dois dígitos, que naquele momento ia de 01 até 57.


A divisão passou a ser de acordo por cores, que variavam de acordo com o trajeto da linha – isto é: para linhas que faziam o trajeto zona norte/centro, as lonas eram de cor vermelha; para linhas do trajeto zona oeste/centro, as lonas eram de cor verde; linhas zona sul/centro, cor azul, etc.

Para indicar as “novas” linhas urbanas – na prática, a renumeração dos códigos – as empresas passaram a utilizar grandes adesivos no vidro frontal dos ônibus, indicando as linhas. Naquele momento, não houve mudança nas lonas que indicavam as numerações – que tiveram as operações descontinuadas.


Mas as placas laterais foram mantidas e ajustadas, ganhando o novo critério de numeração e cores das linhas. Elas continuaram presentes nas laterais dos ônibus, inclusive, passando para próximo à porta da frente dos veículos – já que no início da década de 1990, o fluxo de embarque e desembarque de Natal também foi modificando, com os passageiros passando s subir pela porta da frente dos ônibus.



Ao longo dos anos 1990, a frota de Natal começava a substituir as placas laterais pela caixa de lona, semelhantes as da parte frontal dos ônibus, mas em tamanho menor, adaptadas para a lateral. Todo o sistema foi se adaptando àquele novo item, de acordo com a renovação da frota.


Inclusive, nas empresas Santa Maria e Nossa Senhora da Conceição houve substituição das placas laterais por caixas de lona em alguns veículos que, inicialmente, não tinham as lonas laterais.


Curiosamente, na empresa Via Sul, os itinerários foram pintados nas laterais dos veículos, inserindo a linha que o ônibus era fixo, com adaptações para receber a placa em caso de mudança de linha.


Já na empresa Cidade das Dunas, um veículo de sua frota tinha a indicação da linha na parte traseira. É provável que o veículo tenha sido o único com a informação para os usuários também na parte traseira do ônibus – a indicação da linha na traseira do ônibus é faz parte do sistema de transporte de alguns municípios no país, como São Paulo, Rio de Janeiro, e Minas Gerais.


Ao longo dos anos 2000 a padronização das cores nas lonas e placas laterais começou a ser abandonado pelas empresas. Apesar disso, as lonas frontais continuavam seguindo o padrão de cores, mesmo com o surgimento do itinerário digital, que ganhou força nas renovações das frotas e desde 2004, esteve presente em todos os ônibus da frota potiguar comprados novos.


Com o advento do itinerário eletrônico no lugar das lonas, que impossibilitava a programação da linha de acordo com a cor dentro do trajeto que ela estava inserida, a padronização das cores por cada linha foi aos poucos sendo deixada de lado.

Mas a maior mudança ocorreu em 2010, com a implementação, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), da padronização das lonas para o segmento de transporte coletivo de todo país. Na ocasião, o órgão determinou que os ônibus operadores de linhas urbanas e semiurbanas deveriam ter suas lonas com fundo na cor preta e letras em verde-limão ou amarelo, com o propósito de garantir maior acessibilidade aos usuários.


As empresas de ônibus de Natal acataram a determinação, e modificaram seus itinerários. Apesar da determinação só valer para a lona frontal – já que o uso de itinerário lateral não é comum em todo o país – algumas empresas de Natal aproveitaram a mudança das lonas frontais, para também reformar as lonas e placas laterais, seguindo a nova recomendação.

Ao mesmo tempo, o advento da tecnologia contribuiu para o surgimento dos itinerários laterais também de forma digital – adotado prontamente pelas empresas de Natal. O itinerário digital lateral foi um fator que reforçou a extinção da padronização por cores nas linhas locais.


Até então, mesmo em adesivos que algumas empresas disponibilizavam nos para-brisas dos ônibus indicando a linha, como forma de itinerário auxiliar, seguiam a mesma cor padrão daquele trajeto, o que deixou de acontecer. Atualmente, mesmo quando algum adesivo é utilizado em determinadas linhas, o padrão de cores já não é mais seguido por nenhuma das empresas.


Linha 68 integra grupo das linhas "vermelhas", mas o adesivo utilizado pela empresa Reunidas em 2019 é azul.

A temática terá continuidade pelo Portal UNIBUS RN

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