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Caro, mas com apelo ecológico: qual o futuro dos ônibus híbridos na América Latina?

Os ônibus híbridos e híbridos elétricos já estão entre nós há um certo tempo, mas não deslancharam como alternativa viável no transporte coletivo na América Latina. Com exceção de Santiago, no Chile, que conseguiu montar uma frota consistente de veículos elétricos, outros países, como o Brasil, testaram os modelos e frearam a expansão. O custo da nova tecnologia e a falta de infraestrutura para suportar a mudança de matriz energética são as principais razões para essa interrupção.

Foto: Ônibus Brasil

“A Volvo acredita que, sim, o futuro é elétrico, não temos dúvidas disso. Mas, a gente tem que ser muito cauteloso no momento de fazer essa transição, porque vender um veículo elétrico é muito mais do que só um ônibus”, pondera Fabiano Todeschini, presidente da Volvo Bus Latin America. As operadoras de transporte coletivo e cidades que optam por adotar esse tipo de veículo precisam ter uma rede compatível para mantê-los, com investimentos em redes de distribuição e capacidade energética. Ou correm o risco de, ao recarregar um conjunto de ônibus, derrubar a energia de um bairro todo, por exemplo.

Todeschini explica que a recomendação da Volvo, por exemplo, é de que esses processos sejam paulatinos. “Recomendamos que você coloque uma quantidade [de veículos híbridos ou elétricos] e teste, e não faça grandes lotes no início, porque é uma troca de tecnologia que ainda não é economicamente viável. A questão é que se o veículo é mais caro e o pacote final é mais caro, alguém paga essa conta, ou através de impostos ou através da tarifa. E sabemos que no Brasil, a questão da tarifa é muito sensível”, explica.

Em Curitiba, primeira cidade brasileira a testar os modelos híbridos e híbridos elétricos da Volvo, a experiência começou em 2012. Há veículos de pelo menos duas gerações de híbridos que circulam na capital paranaense e, embora tragam muitas vantagens do ponto de vista ambiental, o custo mais elevado para aquisição e manutenção pesam na planilha de custos que acaba definindo o valor da tarifa – tanto a que a prefeitura repassa para as empresas operadoras quanto a que o usuário do transporte público desembolsa todos os dias, usando esses veículos ou não. “O veículo elétrico será economicamente viável e a tecnologia está avançando muito rápido nesse sentido. Mas, ainda não é”, diz Todeschini.

Panorama dos híbridos

A capital paranaense tem uma frota diminuta de híbridos em circulação. Em 2018, eram 30 veículos que fazem linhas convencionais, troncais e de Interbairros. Em Bogotá, na Colômbia, a Volvo tem 360 veículos desse tipo em operação.

O sistema de transporte da capital colombiana está passando por uma renovação de frota. A Volvo, por exemplo, fez a maior venda da década para o Transmilenio: são 700 veículos articulados e biarticulados, que já começaram a ser entregues, em um negócio de US$ 210 milhões. Todeschini lembra que a cidade vai renovar a frota de ônibus alimentadores, que fazem parte do sistema chamado de SITP e inclui a região metropolitana de Bogotá, e também fará uma nova licitação para veículos elétricos.

Mas é no Chile, em Santiago, que esse modelo está mais consolidado: a cidade possui a maior frota de ônibus elétricos da América Latina, com 200 unidades. O plano do país é ter uma frota totalmente elétrica no transporte público até 2040.

Fernanda Trisotto
Gazeta do Povo

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