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Quantidade de Bilhetes Únicos cancelados por fraude dispara em SP

O número de cartões do Bilhete Único cancelados ou apreendidos em São Paulo disparou em 2019. Nos cinco primeiros meses do ano, foram 637 mil cancelamentos. Isto representa cerca de 4.219 cartões por dia.

Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress - Ilustração

O aumento foi de 61% em comparação com o ano passado, quando no mesmo período foram cancelados 395 mil bilhetes. A discrepância com 2017 é ainda maior. Naquele ano, foram 186 mil bloqueios de janeiro a maio.

Dados da SPTrans, obtidos pelo Agora via Lei de Acesso à Informação, mostram que quase nove em cada dez cartões foram cancelados por fraudes relacionadas à falsificação de créditos. No total, foram 549 mil bilhetes bloqueados por recargas irregulares desde o início do ano —75,6% mais que em 2018.

Foi o caso da promotora comercial Evelin Terribili, 41 anos, que teve o cartão cancelado em abril. Na ocasião, ela tentou recarregar o bilhete em uma galeria na avenida Raimundo Pereira de Magalhães, região do Jardim Taipas (zona norte), sem saber que se tratava de um ponto de venda irregular.

"Estava procurando uma lotérica, mas disseram que nessa galeria eu encontraria uma banca que fazia recarga", disse Evelin. A operação, no entanto, precisou ser interrompida, segundo a vendedora por um defeito no sistema. Mais tarde, quando tentou novamente um ponto autorizado, entretanto, a promotora foi informada que o seu cartão havia sido bloqueado.

"O pior é que eu tinha acabado de trocar pelo modelo novo, tive que ir de novo na SPTrans, no centro", disse.

A segunda causa mais comum de cancelamentos é o uso indevido por terceiros --quando uma pessoa usa o cartão de outra para tirar proveito de benefícios como a gratuidade para idosos ou a meia passagem para estudantes.

Foram 80 mil bloqueios do tipo desde o início do ano, a maioria deles —70 mil— por meio do sistema de reconhecimento facial instalado nos ônibus.

Desconfiança

A maioria dos usuários ouvidos pela reportagem nesta segunda-feira (1) no Terminal Bandeira e no posto SPTrans da rua 15 de Novembro, ambos no centro, disse preferir recarregar o Bilhete Único em terminais de ônibus e estações de metrô, por comodidade e por desconfiar de outros pontos de venda.

"A gente sempre ouve falar de fraude, prefiro não me arriscar", disse o assistente administrativo Vinícius Silva, 25 anos, que reclama da falta de sinalização nos pontos licenciados. "Já vi muito lugar esquisito anunciando crédito, não tem nada que comprove pra mim que é autêntico", disse Silva.

A estudante Mariana Xavier, 24, aguardava na fila do posto SPTrans pois seu cartão havia sido bloqueado. "Ainda não sei por que, estava usando normalmente até que parou de funcionar", disse a universitária, que nunca se atentou para a procedência dos locais onde recarrega.

Orientação

A SPTrans orienta os usuários que tiveram o cartão bloqueado devido a recarga falsificada a comparecerem ao posto da rua 15 de Novembro (região central), com um documento de identificação, para retirar um novo bilhete. Créditos verdadeiros serão transferidos e será cobrada uma taxa de R$ 30,10.

Nos casos de bloqueio pelo reconhecimento facial, o usuário poderá apresentar justificativa. "Cartões que têm algum tipo de benefício não podem ser compartilhados a terceiros. O uso indevido, como um jovem que utiliza o bilhete do avô, configura crime.

Motivada pelo grande número de fraudes envolvendo o Bilhete Único, a prefeitura encerrou em junho do ano passado a venda do cartão sem identificação e ainda impôs a eles limite de R$ 43 de crédito.

Usuários do transporte público tem até 30 de setembro para fazer a troca pelo bilhete personalizado com dados pessoais.

Nesta segunda-feira, dezenas de pessoas passaram pelo posto SPTrans da rua 15 de Novembro para efetuar a troca. A fila de espera era de cerca de duas horas, segundo os usuários.

Resposta

Em nota, a SPTrans, da gestão Bruno Covas (PSDB), que administra o transporte urbano com ônibus na capital, diz que implanta medidas para erradicar as fraudes no Bilhete Único.

Entre as medidas, a empresa cita o reconhecimento facial por meio de câmeras instaladas em todos os ônibus da cidade, identificação de cartões com divergência entre recargas e utilizações, cancelamento de cartões com créditos falsos e o fim da comercialização do Bilhete Único sem identificação.

"A empresa orienta a comprar créditos somente em um dos mais de 8.000 postos credenciados e não adquirir cartões anunciados como mais baratos e de créditos abaixo da tarifa oficial", diz a nota.

A SPTrans também afirma que não concede descontos na aquisição de créditos para o Bilhete Único de qualquer natureza.

"Ao recarregar seu Bilhete Único, o munícipe recebe um comprovante com dados da transação e que podem ser utilizados para consultar se o crédito é verdadeiro ou não", afirma.

Para checagem, SPTrans indica o site www.sptrans.com.br/recibo.

Agora SP

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