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Em SP, ônibus sem cores dificultam a vida de usuários

Voltando de viagem a Hong Kong, onde esteve para uma atividade da Rehabilitation International (www.riglobal.org), a blogueira Mila Guedes, do Milalá, notou uma sutil mudança no padrão dos ônibus de São Paulo. Ela, que é cadeirante e também tem baixa visão, explica que se tornou impossível identificar os ônibus após uma mudança que está sendo promovida na pintura dos coletivos, reduzindo as áreas coloridas que identificam a setorização do transporte.

Ônibus de São Paulo: veículos novos sem as cores-padrão. Foto: SPTrans

Na capital paulista desde o final dos anos 1970 os ônibus recebem cores conforme suas áreas de circulação, facilitando a identificação para todas as pessoas que têm dificuldade em ler à distância, incluindo os mais idosos. 

Mila explica que depois dessa alteração ela é obrigada a pedir ajuda a outras pessoas ou a parar todos os ônibus para perguntar sobre seu destino. E argumenta que a mudança desobedece às normas da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e dificulta muito o acesso ao transporte público. "Várias pessoas com deficiência têm reclamado dessa mudança sem aviso prévio", conta Mila, que é representante da Rehabilitation International (RI) na América Latina.

Cores e áreas de circulação dos ônibus em São Paulo Imagem: SPTrans

Após ouvi-la, fizemos contato com a SPTrans, empresa pública que opera o sistema de ônibus paulistano, e também com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SPDEM) para obter esclarecimentos. Hoje recebemos contato e resposta da Assessoria de Imprensa da SPTrans.

Em nota, a SPTrans explica que se trata de uma situação provisória causada pela indefinição dos novos contratos de concessão de linhas de ônibus. Como ainda não está definido quais operadoras circularão em cada área da cidade, a empresa municipal aceitou que os novos ônibus circulem sem as cores de identicação até que a licitação das concessões seja concluída. "O objetivo é evitar que os novos ônibus tenham que ser repintados caso ocorra alguma mudança na área de operação", explicou a assessora em contato telefônico.

Desde 2013, ainda na gestão de Fernando Haddad, a prefeitura paulistana tenta realizar uma licitação para definir as empresas que vão operar os ônibus, mas o processo se arrasta em sucessivos questionamentos judiciais. Em maio, a duração do contrato, de 20 anos, foi questionada na Justiça e o processo parou novamente. Quando o processo for concluído espera-se que haja uma redistribuição de linhas e regiões entre as empresas vencedoras. Nesse momento, prevê a STTrans, os novos ônibus serão pintados com as cores definitivas.

Nem a SPTrans, nem a SMPED informaram sobre os procedimentos para atender às pessoas que têm deficiência visual. Assim, até a definição das novas concessões, os usuários de baixa visão terão mesmo que recorrer ao auxílio de outros passageiros ou à paciência - nem sempre bem-humorada - dos motoristas de ônibus.

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