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Pernambuco: Saída acelerada de cobradores

A retirada dos cobradores dos ônibus da Região Metropolitana do Recife foi retomada com uma impressionante agilidade pelo governo de Pernambuco. Suspenso em 2017 pessoalmente pelo governador Paulo Câmara (PSB) - por entender que a rede de vendas de cartões e créditos eletrônicos do VEM não era suficiente -, o processo ganhou força no último mês e, sem uma ampla divulgação, 126 linhas de ônibus passaram a operar sem cobradores no Grande Recife. Em maio passado, eram 58 linhas. Desde o dia 19 de outubro outras 60 linhas perderam o profissional. O restante tinha passado pela mudança anteriormente. Além disso, 346 motoristas estão acumulando a função de cobrador - ou seja, dirigem, recebem dinheiro e passam troco aos passageiros. 

Foto: Filipe Jordão-JC Imagem

A pressa do governo de Pernambuco - gestor do transporte público da RMR - tem um objetivo: diminuir o custo do sistema e, consequentemente, reduzir os R$ 250 milhões injetados anualmente como subsídio. E, com o apoio do setor empresarial - no caso o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) -, está trilhando esse caminho. As 126 linhas que estão sem o cobrador representam 32% do total de linhas do sistema - atualmente com 399. Em relação à frota de ônibus, já são 17,92% do total de coletivos que estão com a nova configuração operacional - aproximadamente 3 mil veículos. 

Segundo o Grande Recife Consórcio de Transportes (GRCT), o projeto de adequação tecnológica levou em consideração linhas com baixo número de pagamento em dinheiro por viagem. A maior parte das linhas teria uma média de zero a sete passageiros pagantes em dinheiro. Em outras, oscilaria entre oito e 11 passageiros pagantes em espécie.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano de Pernambuco, Marcelo Bruto, o processo obedece a critérios técnicos. "O que buscamos é modernizar o sistema e, ao mesmo tempo, reverter toda essa economia em benefícios para o passageiro, o que já vem acontecendo. A refrigeração da frota é um exemplo", argumenta. Cálculos feitos pelo Consórcio indicam que, com as linhas sem cobrador, seria possível reduzir a passagem em R$ 0,05. A planilha tarifária de 2019 foi calculada com 7,71% da frota sem o profissional. Caso fosse aplicado o percentual atual - de 17,92% - a tarifa seria 1,51% mais barata, ou seja, R$ 0,0543 a menos. A reportagem acompanhou a viagem em uma linha circular do Centro e só ouviu reclamações, tanto dos usuários como dos operadores. "Não é bom para ninguém. A rede de vendas ainda é ruim. Só quem não anda de ônibus não enxerga isso", criticou a passageira Rejane Gomes.

"A rede de vendas é insuficiente e ainda pagamos taxas pela recarga. Em relação ao motorista passar troco, acho perigoso porque ele tira a atenção do volante", critica a babá Ednir Rocha da Silva.

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