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Mobilidade do amanhã precisa dos meios de pagamento revolucionados

A “mobilidade do amanhã” passa inevitavelmente pela incorporação de inovações tecnológicas e reformulação dos modelos de negócios atuais. Em 2015, a consultoria Deloitte publicou um artigo onde sugeriu cinco tendências principais: (1) o foco do planejamento a partir da perspectiva do cliente; (2) a integração e a inteligência, tendo impacto direto na promoção da intermodalidade e autonomia do usuário; (3) a flexibilização de tarifas e pagamentos, como sistemas de integração e precificação dinâmica dos bilhetes e unificação de plataformas de pagamento; (4) a automação e a segurança dos sistemas em diversos níveis, desde a automatização de bilhetagem até veículos autônomos; e (5) a inovação nos setores público e privado, que inclui novos formatos de parcerias.


Para que a “mobilidade do amanhã” se torne uma realidade, é necessário: dialogar, coletar visões de cada uma das partes envolvidas, fazer e, acima de tudo, revolucionar. Neste processo, o princípio de colaboração e cocriação entre todas as partes envolvidas é essencial.

Ninguém pode negar que a bilhetagem eletrônica, amplamente utilizada hoje em dia, trouxe muitos ganhos para o transporte público, entre eles a maior agilidade no embarque. No entanto, desde a sua chegada no Brasil, no fim do século XX, muita coisa mudou. A realidade do setor é outra, os passageiros apresentam perfis diversos e a tecnologia não para de evoluir. O transporte público precisa se integrar à mobilidade urbana, se adequar às novas expectativas dos passageiros e às novas necessidades operacionais.

Novos meios de pagamento, incluindo, mas não se limitando a cartões bancários com tecnologia por aproximação, bilhetes QR Code, aplicativos, acessos biométricos e identificadores de usuários armazenados em uma conta na nuvem, têm ampliado as opções de acesso à mobilidade.

As inovações tecnológicas no sistema de mobilidade urbana podem ajudar o poder público e o setor privado a fornecer serviços mais eficientes e mais adequados à nova realidade. A implantação de inovações e o uso inteligente de dados em diferentes pontos do ecossistema são fatores chave de sucesso, como: a experiência do usuário; a oferta de serviços; a coleta e a gestão da informação; e, ainda, a camada de coordenação e regulamentação, normalmente responsabilidade da esfera pública.

Convivemos atualmente com legislações rígidas, sobre os modais concessionados por entidades públicas, por citar ônibus, metrô e táxi, e flexíveis, quando existentes, sobre os novos modais, a exemplo das bicicletas, patinetes e do transporte por aplicativos. Outro ponto importante, sobre responsabilidade da gestão pública, são as políticas públicas de mobilidade que sempre apontaram no sentido de favorecimento do transporte privado individual, com leis de incentivo e isenção de impostos para aquisição de carros e motos.

No entanto, mesmo com todas as dificuldades, o setor de mobilidade urbana é uma das referências atualmente de boa parte da população ao abordar a questão da inovação tecnológica. Tanto isso é verdade, que uma das palavras da moda é abordar a questão da economia dos aplicativos usando o termo “uberização”. Atualmente é possível dizer que a inovação tecnológica no segmento de mobilidade urbana tem se tornado cada vez mais abrangente. O transporte individual por aplicativo é apenas uma faceta desta ampla gama de opções.

O fato é que o transporte público ainda está muito arraigado ao passado. É chegada a hora de mudança. É o momento de buscar por novas referências, para lidar com um novo mundo.

Se olharmos com atenção para os 5 pontos listados na pesquisa supracitada, é possível perceber que o meio de pagamento é fator fundamental para o futuro da mobilidade urbana, pois olhando da perspectiva do cliente, buscamos planejar e pagar nossas jornadas de mobilidade de forma descomplicada e inteligente.

Nós, usuários, queremos que através de uma única conta, independente da forma de identificação utilizada: cartão (tap), QR Code (scan), biometria etc., vinculado a essa conta, consigamos realizar nossa jornada do Ponto A ao Ponto B, sendo ela mono ou intermodal.

Queremos que, com base na quantidade de utilizações (tap e/ou scan) e a localização dessas utilizações, a tarifa seja calculada e cobrada da nossa conta passageiro. O que significaria que nós, passageiros, não precisaríamos mais pré-comprar um bilhete e poderíamos nos beneficiar das melhores políticas tarifárias.

E por último, e não menos importante, o poder público, que se diz incapaz de assumir mais subsídios para manutenção do sistema de mobilidade urbana, começaria a compartilhar custos com o setor privado, como por exemplo o do bilhete único, pois uma vez que os emissores privados (responsáveis pelas contas e relacionamento com os usuários) passariam a ofertar benefícios direto a seus clientes e remunerar os operadores dos sistemas de transporte, e estes não dependeriam mais unicamente de subsídios governamentais. A ideia aqui exposta é evoluir os “bilhetes únicos”, agregando segurança e conveniência para o usuário.

A “mobilidade do amanhã” será bem-sucedida quando apresentar novas maneiras de organizar e operar as várias opções de mobilidade, com vantagens para os operadores de transporte, incluindo acesso a informações aprimoradas sobre clientes, demandas e novas oportunidades para atender às demandas não atendidas, assim como vantagens para os passageiros, propiciando uma alternativa ao uso do carro particular que seja o mais conveniente, mais sustentável, ajude a reduzir o congestionamento e possa ser ainda mais barato.

Por Milton Silva, Head Business Development of Mobility do Grupo C6 Bank
Fonte: ANTP

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