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Montadoras exibem soluções para o trânsito, problema que ajudaram a criar

Os três quilômetros que separam o MGM Hotel do principal pavilhão de exposições do CES 2020 foram percorridos em quarenta minutos na manhã de terça-feira (7). A van ficou presa no trânsito caótico de Las Vegas; as vias ficam travadas durante a feira de tecnologia que, neste ano, privilegia a mobilidade urbana.

Foto: Ilustração/Arquivo/UNIBUS RN

Do lado de dentro do evento, fabricantes de automóveis valorizam soluções para desfazer os nós do tráfego nas metrópoles -problemas que ajudaram a criar com a massificação do transporte individual em detrimento ao coletivo.

A Ford apresenta um projeto de monitoramento inteligente em grandes cidades por meio da plataforma Ford Insight Solution. O sistema identifica gargalos e propõe soluções para melhorar o deslocamento.

As ideias podem ser a mudança da sinalização em um determinado ponto ou a inversão da mão em algumas vias. Em uma visão futurista, a montadora americana prevê o uso de veículos autônomos compartilhados e com capacidade para mais passageiros em locais críticos. Isso poderia reduzir a circulação de carros com apenas um ocupante a bordo.

A diferença desses micro-ônibus para o modelo de transporte público convencional está na possibilidade de ocupar menos espaço nas vias e ter a versatilidade de um carro particular ou de um táxi, deixando o passageiro o mais perto possível de seu local de destino e sem restrição de horário de circulação.

A "encarnação" desse projeto de transporte aparece no estande da Toyota, que exibe os conceitos e-Palette em Las Vegas. São veículos voltados para o transporte de pessoas e objetos, que serão utilizados pela primeira vez durante os Jogos Olímpicos de Tóquio. O uso estará restrito aos locais dos eventos esportivos, mas a ambição da montadora está aos pés do monte Fuji, onde construirá a Woven City.

A cidade artificial japonesa começa a ser erguida em 2021 e vai utilizar recursos sustentáveis desenvolvidos pela fabricante de veículos.

A energia será gerada por painéis solares e células de combustível a hidrogênio, que irão alimentar as casas, os carros autônomos e os robôs que prestarão assistência aos habitantes. O projeto urbanístico é assinado pelo arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels.

Os moradores da cidade-laboratório da Toyota serão pesquisadores e parceiros dispostos a viver em um microcosmo considerado perfeito e futurista. Mas é difícil imaginar a viabilidade de algo assim em grande escala diante da complexidade das relações humanas.

De volta ao mundo real, a Microsoft, em parceria com a Ford, busca soluções para as questões criadas pelos aplicativos de trânsito.

As empresas avaliam os efeitos negativos de Waze e Google Maps, que jogam todos os motoristas para rotas alternativas que acabam se encontrando em algum ponto, transferindo os pontos de congestionamento de um lugar para o outro.

A alternativa desenvolvida pela Microsoft usa computação quântica para considerar todas as variáveis e cruzar os dados dos veículos em circulação. Dessa forma, o navegador conseguiria antecipar os possíveis engarrafamentos e readequar as rotas.

Enquanto as marcas japonesa e americana miram para o asfalto, a sul-coreana Hyundai olha para cima. A montadora apresenta o S-A1, veículo voador desenvolvido em parceria com a Uber, empresa que prevê uma nova forma de transporte aéreo.

Havia a expectativa de que se tratasse de um carro voador. Contudo, o veículo exposto no estande da marca não tem rodas e é bem maior que um helicóptero.

O S-A1 é capaz de transportar o piloto e mais quatro passageiros. Seus quatro rotores, semelhantes aos usados em drones, fazem o protótipo decolar na vertical, como um helicóptero.

As dimensões equivalem às de um jato particular, mas o custo de produção deve ser mais baixo. Esse foi um dos objetivos do projeto proposto pela Uber, que pretende usar a aeronave da Hyundai em seu futuro serviço de táxi aéreo, que provavelmente será mais em conta que as modalidades de voo fretado disponíveis atualmente.

O S-A1 é 100% elétrico e, por isso, silencioso. A empresa sul-coreana afirma em seu material de divulgação que a recarga das baterias deve ocorrer em, no máximo, sete minutos em estações de alta eficiência. As primeiras demonstrações de voo devem ocorrer em 2020.

A Uber já prevê os lucros futuros da nova modalidade de transporte, embora não fale em números. A Ford também projeta rentabilizar suas soluções para o trânsito, diz Bill Frykman, diretor responsável pelo desenvolvimento de alternativas de mobilidade para as cidades. Pelo interesse dos envolvidos, é possível prever que, no futuro, oferecer maneiras de melhorar o trânsito deve se tornar um negócio mais interessante que a produção e venda de carros.

EDUARDO SODRÉ*
*O jornalista viajou a convite da Ford

Folha de SP

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